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A hora e a vez dos novatos

*Capa: Vitor Silva/Botafogo

Nunca na história, desde que Charles Muller desembarcou com uma bola em nosso país, houve tanta gente nova à beira do campo dirigindo os grandes clubes do futebol brasileiro. Paralelamente ao momento em que há sangue novo, os técnicos veteranos deixam a cena com a mesma rapidez. Entram métodos revolucionários e muito estudo, e saem os mais experientes, mas sem muita teoria técnica.

A chegada do técnico Alberto Valentim ao Botafogo, nesta semana, exemplifica bem o fenômeno que está ocorrendo em nosso futebol. Aos 42 anos, Valentim assume seu maior desafio à frente do Glorioso, após ser técnico-interino no Palmeiras por cinco oportunidades, em quatro anos atuando como auxiliar-técnico do time paulistano. Valentim chega ao Botafogo com a esperança da diretoria de que o profissional faça o mesmo trabalho de sucesso de Jair Ventura, outro treinador emergente, que saiu do clube carioca com status de ídolo e desembarcou no Santos nesta temporada para reestruturar a equipe da Baixada. Ventura também atuou como auxiliar por vários anos antes de assumir o Botafogo.

A mesma história é de Fábio Carille, atual comandante do Corinthians. Com carreira meteórica após ser auxiliar no clube por quase nove anos, Carille assumiu o time no final de 2016, mas voltou à condição de auxiliar logo em seguida para a chegada de Cristóvão Borges. Como Borges não se firmou e a diretoria não investiu em medalhão, resolveu novamente apostar em Carille. E deu certo: dois títulos em 2017 e o novato chega a 2018 com uma das estrelas da nova geração.

O vascaíno Zé Ricardo segue a mesma cartilha. Foi auxiliar no Flamengo, depois assumiu a equipe principal em 2016 e levou o Rubro-Negro à Libertadores. Depois, assumiu o Vasco no ano passado e colocou o time cruz-maltino na competição sul-americana. Um pouco mais experiente, mas também também na nova geração, Roger Machado tem o trabalho de conduzir o milionário Palmeiras, favorito  às conquistas de 2018. E começou bem, ganhando todas as partidas que disputou até aqui.

Enquanto os jovens fazem sucesso, os treinadores mais experientes ficam à margem dos grandes clubes. O folclórico “papai” Joel Santana não tem mais chance entre os grandes do Estado. Os megacampeões Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari não conseguem se recolocar. Jorginho e Marcelo Oliveira ainda têm mercado, é verdade, mas somente em times médios.

Já Cristóvão Borges, Milton Mendes, Celso Roth e Ney Franco fazem parte do grupo de treinadores que dificilmente voltará a um dos 12 grandes do Brasil. O único experiente atualmente desempregado que ainda voltará ao um grande centro é o técnico Cuca. O campeão brasileiro de 2016 recusou recentemente propostas de Atlético-MG e Botafogo, mas mandou avisar que retorna após a Copa da Rússia.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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