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Opinião

A base do XV tem feito um trabalho correto?

*Capa: Vitor Prates

Não sei quem será o novo presidente do XV de Piracicaba, mas penso que, independentemente de quem assumir o cargo, deveria manter o projeto que vem sendo desenvolvido nas categorias de base, buscando apenas aprimorá-lo ainda mais. O trabalho de formação é de longo prazo. Sei que o torcedor quer o clube brigando por título em toda competição que disputa, mas dentro da realidade do Alvinegro, isso é bem complicado. Os atletas não profissionais que atuam na categoria sub-15, recebem R$ 50 por mês de ajuda de custo. No sub-17, a ajuda sobe para R$ 70, enquanto o sub-20 varia de R$ 100 a R$ 200.

Muito se diz que Piracicaba é celeiro de craques, que o XV não dá oportunidades, que a várzea está cheia de atletas com potencial. Pois bem, se o ‘cara’ é craque, você acha que ele vai jogar no Alvinegro para ganhar esses valores? O empresário, com trânsito livre em diversos clubes, vai levá-lo para outras agremiações. É possível melhorar o que vem sendo feito? Sim, é. Para isso, também é preciso dinheiro para contratar mais profissionais. Quem trabalha no clube a semana toda, vai aproveitar o período de folga para o lazer, ficar com a família, descansar, não trabalhando ainda mais, rodando a cidade em busca de atleta. É preciso aumentar o quadro de funcionários e, para isso, é preciso dinheiro.

Mais importante que títulos na base, é a revelação de jogadores. A responsabilidade de levantar taças fica para os grandes clubes, que investem mais dinheiro na formação do que o XV investe no profissional. Anualmente, somando sub-15, sub-17 e sub-20, o Alvinegro gasta aproximadamente R$ 720 mil com a base. O investimento é baixíssimo, porém, muito alto para um clube que tem um gasto em torno de R$ 4 milhões em toda sua estrutura. Ainda sim, o trabalho tem trilhado o caminho certo. As três categorias passaram da primeira fase do Campeonato Paulista. São 12 atletas que ainda possuem ligação com XV que estão vinculados a grandes clubes.

Nada garante que vão render frutos. Porém, as ‘sementes’ estão sendo plantadas. Seria ótimo que houvessem 100 atletas nessa transição, pensando em ‘colher’ ao menos cinco frutos dessas parcerias. É dessa forma que o XV vai conseguir revelar. Não pense que vai surgir um craque na base, com contrato amador, e aparecerá uma proposta milionária ao XV. Isso seria algo raro. Há necessidade dessa ponte com os grandes clubes. Tudo que foi conquistado até agora não pode ser perdido e começar novamente do zero. Seria inadmissível ao novo presidente perder o Certificado de Clube Formador, que dá segurança à agremiação quanto ao investimento no atleta.

Seria importante ter categorias inferiores, por exemplo um sub-11 e sub-13, para que os jovens jogadores não cheguem tão ‘crus’ ao sub-15. Fora isso, hoje em dia os clubes estão buscando talentos cada vez mais precoces. Quanto mais tarde o XV inicia o trabalho, menos qualidade sobra à disposição. Porém, para criar novas categorias, mais uma vez esbarramos no dinheiro. É preciso aumentar o número de funcionários, isso sem considerar toda a logística, campos para treinar, disputar competições. Se o objetivo é uma base forte, que o novo mandatário pense a respeito. Mantenha o formato já desenvolvido e busque ao máximo aprimorá-lo.

Diferente do que muito se prega nas rodas de conversa, o Nhô Quim tem dado sim oportunidades a jogadores piracicabanos. Agora, quando a oportunidade é dada, o jogador tem que saber aproveitar. O XV de Piracicaba é um clube profissional. Não é escolinha de futebol e nem casa de caridade. Se o atleta não tiver um alto rendimento, independente da cidade em que nasceu, ele será dispensado. Pode ser que futuramente ele arrebente em outro time, isso é perfeitamente comum no futebol. Que o novo presidente tenha o discernimento ao assumir o Alvinegro, de dar um basta no que foi tentado e não deu certo, mas também dê a continuidade ao que há de positivo no clube.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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