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Três tambores e uma sintonia: esportes equestres

Amazona nascida em Piracicaba, Raquel é praticante da modalidade há 14 anos

Raquel Marques Gozetto, amazona de Piracicaba
A amazona piracicabana Raquel pratica a prova dos três tambores há 14 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

Ninguém sabe ao certo quando e como foi a primeira vez que um cavalo participou de uma competição esportiva. Os registros mais aproximados apontam para o ano 1700 antes de Cristo, época em que os animais tinham ‘função militar’, de acordo com a FEI (Federação Equestre Internacional), entidade reguladora do esporte. No Brasil, as atividades equestres são coordenadas pela CBH (Confederação Brasileira de Hipismo). Hipismo, aliás, é um termo ‘genérico’ que não se aplica a várias modalidades. Entre elas, a prova dos três tambores, disputada no país desde a década de 1970.

Além da agenda profissional, o alto custo é outra dificuldade do esporte

Piracicaba é representada há 14 anos no esporte por Raquel Marques Gozetto. Bicampeã da Copa Ouro, vice do Campeonato Regional Oeste e cinco vezes finalista do Nacional, a amazona de 27 anos começou na modalidade quando a família abriu uma escola de equitação em Santa Teresinha. Raquel também fazia ballet, mas como tinha competição todos os fins de semana, precisou escolher. “Acabei me dedicando exclusivamente aos cavalos”, disse ao LÍDER.

A prova de três tambores exige velocidade e resistência. O atleta precisa completar o percurso, que consiste em três tambores dispostos em forma de triângulo, no menor tempo possível. “Para isso fazemos o uso de um conjunto de fotocélula, que dispara quando o focinho do cavalo passa entre elas. O tempo trava quando o animal passa novamente. O equipamento mede milésimos de segundo”, contou. “A relação com os cavalos é muito íntima, eles sentem tudo e reagem a cada uma dessas situações”.

SINTONIA

Os cavalos usados na modalidade são da raça quarto de milha. A maior parte deles, inclusive, possui registro e até certidão de nascimento. “Meus primeiros animais foram o Excalibur Dream Jet e o Winin Mico Cash. O Excalibur ainda treina com uma amiga, mas o Winin está aposentado. Montei nele por oito anos, formávamos uma parceria absurda, ele me trouxe muitos títulos, inclusive todas as finais nacionais. Hoje, tenho o Quote Doc G. Ainda estamos tentando formar um conjunto, ele é muito bom e, consequentemente, mais difícil de conduzir pela agilidade e habilidade que tem”, explicou Raquel.

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Aos 27 anos, a amazona piracicabana Raquel Marques Gozetto foi cinco vezes finalista do Nacional (Foto: Arquivo Pessoal)

A rotina de treinos, segundo a amazona piracicabana, diminuiu bastante nos três últimos anos. Por causa da vida profissional – ela é médica veterinária -, Raquel tem a agenda apertada. “Com isso, a participação em campeonatos diminuiu também. Antes, eu montava pelo menos duas vezes na semana. Acredito que o contato com os cavalos faz da modalidade um prazer maravilhoso. Eles não são máquinas; têm afeto, carinho e precisam de cuidados. Estar junto deles sempre foi meu principal objetivo”, afirmou.

Além dos compromissos profissionais, o alto custo é outra dificuldade imposta pelo esporte. Segundo Raquel, Piracicaba e cidades próximas como Americana e São Pedro têm escolinhas, mas para competir em alto nível, são necessários animais mais ‘valiosos’. “Além disso, eles precisam de alguns cuidados: água fresca, ambiente limpo, boa ração, fonte de fibra e treinamento adequado. Suplementos também. Tudo isso é de extrema importância, pois eles são atletas. Qualquer deficiência afeta diretamente no rendimento”, completou.

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