Opinião

Três leituras sobre os protestos

É possível interpretar os protestos realizados pelos torcedores do XV de Piracicaba na última quinta-feira (14), em frente ao estádio Barão da Serra Negra, sob três pontos de vista.

Há torcedores que acreditam que a manifestação ganhou força com mais de 50 pessoas reivindicando as renúncias do presidente Rodrigo Boaventura e do vice, Renato Bonfíglio, em ato pacífico. Ganhou força porque é apenas o primeiro protesto e, pelas reações que se vê em redes sociais, a tendência é aumentar o número nos próximos manifestos. Cresceu porque 50 é mais que meia dúzia e o rebaixamento para a Série A2 foi a gota d’água. É hora de profissionalizar o departamento de futebol e deixar claro que a torcida não aceitou a queda com a passividade explícita nas palavras de Rodrigo Boaventura, antes mesmo de cair.

Há quem enxergue o outro lado da moeda. Apenas 50 torcedores cobraram as cabeças de Rodrigo Boaventura e Renato Bonfíglio, número inexpressivo para uma torcida que se autoproclama como a maior do interior. Neste caso, meia dúzia vira metáfora para 50 e a oposição é perseguição pessoal. A revolta de torcedores é resumida a comentários e curtidas em redes sociais; a cúpula sai reforçada e trabalha na calmaria para fazer o sucessor. Afinal, a profissionalização do departamento de futebol já existe, de acordo com eles próprios.

Há ainda a terceira interpretação, ao alcance apenas de Renato Bonfíglio. Na entrevista concedida para a Rádio Difusora AM, disse que o protesto foi democrático e que gostaria protestar contra ele mesmo. Mas não vai sair. E falou que “talvez o problema do XV tenha sido não contratar dois ou três “porras-loucas” e que “jogador tem que ir para putaria”. Pronto! O XV virou piada nacional e o autor da frase está despreocupado. Conclusão: Renato Bonfíglio reina absoluto pelos arredores do Barão da Serra Negra. Meia dúzia ou 50, ninguém o incomoda.

Por enquanto.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

Início