Opinião

Temos um camisa 9

A arrancada da seleção brasileira nas mãos do técnico Tite tem algumas marcas. A valorização do futebol compactado, do toque de bola rápido e eficiente, sem volantes brucutus, mas com marcação forte ainda no campo de defesa inimigo, e as triangulações no ataque são algumas características que saltam aos olhos de todos. Poderia falar das seis vitórias seguidas em seis jogos das Eliminatórias, da classificação iminente do nosso time canarinho, do ótimo ambiente da seleção brasileira ou das ótimas participações de Paulinho, Philippe Coutinho ou Renato Augusto. Mas gostaria de destacar o nosso camisa 9, o menino Gabriel Jesus.

Há quatro anos, o mais novo xodó da torcida brasileira era um simples adolescente atrás do sonho de ser jogador de futebol. Descoberto pelo Palmeiras na várzea paulistana, o atacante chegou ao Alviverde mostrando que era diferente. Entrou direto no sub-17, com 16 anos, e no campeonato da categoria, ainda com o nome de Gabriel Fernando, chegou à expressiva marca de 21 gols em 8 partidas.

Em 2015, na Copa São Paulo, vi pela primeira vez o menino prodígio. Foi em Limeira, quando o Verdinho teve como sede o estádio Major Levy Sobrinho. Todos iam lá para vê-lo. O Palmeiras não foi campeão, mas Gabriel Jesus marcou quatro gols na competição e foi artilheiro do Alviverde. Alçado ao time principal no mesmo ano, a torcida, sabendo de seu potencial, praticamente implorou para o técnico Oswaldo de Oliveira escalá-lo. Entrou aos poucos com o atual treinador do Corinthians, depois com Marcelo Oliveira, até se firmar com Cuca.

O atual ano chegou e, com ele, a consagração do menino. Titular absoluto do Palmeiras, campeão olímpico, vendido ao Manchester City, do ótimo Pep Guardiola. A ‘cereja do bolo’ foi a convocação para a seleção principal. Tite, ao convocar a revelação, cravou: “É craque”. E não decepcionou o chefe. Acabou a temporada como artilheiro da seleção brasileira, ao lado de Philippe Coutinho, com cinco gols.

Gabriel Jesus nos dá a tranquilidade para dizer que agora temos um camisa 9. A lendária camisa 9, que já foi de Careca e Ronaldo, entre outros. Esperamos que essa performance se repita em 2017 para que Gabriel Jesus possa dividir o protagonismo com Neymar. Assim, todos ganham. O técnico Tite, os torcedores e a própria seleção brasileira.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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