Opinião

Tem motivo. Tem rumo?

A queda para a Série A2 do Campeonato Paulista não é razão suficiente para destituir a diretoria, como querem os sócios do XV de Piracicaba. A patética entrevista de Renato Bonfíglio para a Rádio Difusora, sim, é. “Talvez o problema tenha sido não trazer dois ou três ‘porras-loucas’. Tinha muita amizade no elenco e grupo de igreja. Jogador tem que ir para putaria”, disse o cartola para justificar o rebaixamento. A sentença virou piada e foi publicada inclusive fora do país.

O artigo 24 do estatuto do XV de Piracicaba diz que atingir prestígio e reputação do clube constitui infração grave. O artigo 25, sobre as penalidades, discorre que a punição será dada de acordo a gravidade da falta – entre as penas, censura escrita, suspensão e exclusão. O artigo 32 evidencia a perda do mandato decorrente da exclusão – em caso de suspensão, o mandato é igualmente suspendido.

Não há dúvida de que o pedido pela destituição de Renato Bonfíglio – e Rodrigo Boaventura – será recebido pela assembleia de associados. Dá para dizer que a renúncia é a vereda menos vexatória para a cúpula, porém, iniciativa negada pelos cartolas. A julgar pelas peças que são mexidas nos bastidores, dá para cravar: presidente e vice estão seriamente ameaçados, sobretudo o diretor de futebol – Jonas Parisotto, manda-chuva do Conselho Deliberativo, recuperaria prestígio com a saída de Renato e Rodrigo.

O quebra-cabeça fecha, mas dá para questionar o encaixe: porque o clube nunca tomou qualquer atitude de reprovação à imbecilidade explícita em atitudes recorrentes de Renato Bonfíglio, a quem é dado poder e respaldo inexplicáveis? A outra pergunta – e mais importante – é sobre o futuro. Qual é o nome com o perfil capaz de atender todas as exigências do clube? É hora de mudar, mas vale o alerta de que o risco de trocar seis por meia dúzia é iminente. Cuidado, senhores.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

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