Karatê

Sonho real: COI inclui karatê nos Jogos Olímpicos

Esporte entra no programa para as Olimpíadas de Tóquio, no Japão, em 2020

Natalia Brozulatto e Diego Spigolon
Antonia Spigolon, Natalia Brozulatto, Nikolas e Diego Spigolon: karatê em família (Foto: Geraldo de Paula)

O dia 3 de agosto de 2016 está gravado para sempre na história do karatê. Nesta quarta-feira, às 16h51, a assembleia do COI (Comitê Olímpico Internacional) anunciou, em reunião realizada no Rio de Janeiro, a inclusão do esporte nos Jogos de 2020, em Tóquio. A medida, tomada na 129ª sessão do COI, foi divulgada pelo portavoz do comitê, Mark Adams. Além do karatê, a assembleia aprovou a entrada de outras quatro modalidades nos Jogos: beisebol, escalada, skate e surfe, que já haviam sido aceitos pelo comitê executivo, em debate realizado na Suíça.

As regras para classificação e as categorias de peso ainda serão definidas pela WKF (sigla em inglês para Federação Mundial de Karatê) em conjunto com o COI. Piracicaba aguardava a decisão com ansiedade. A cidade tem dois atletas na seleção brasileira adulta – Natalia Brozulatto, medalha de ouro os Jogos Pan-americanos, e Hernani Veríssimo, campeão da Copa do Brasil, Sul-americano e Pan-americano. Francielle Lima, Frederico Felipe e Maria Eliza figuram nas seleções de base. O técnico da equipe piracicabana, Diego Spigolon, também dirige a seleção brasileira da modalidade.

“Estou muito emocionado. O karatê sempre foi um esporte de muita cultura, educação e respeito, e isso estava esquecido. O fato de se tornar modalidade olímpica dá uma visibilidade enorme, vai alavancar a prática do esporte. Há 45 anos comecei no esporte e sinceramente estava descrente de que um dia pudesse se tornar olímpico. Em Piracicaba temos grandes atletas, esperanças reais de estar em Tóquio defendendo o país. É uma alegria muito grande. O karatê deveria estar há muito tempo nos Jogos Olímpicos, sobretudo pelos seus conceitos morais”, afirmou Otávio Spigolon, precursor do esporte em Piracicaba.

Maria Eliza, atleta da equipe piracicabana de karatê

Maria Eliza é uma das promessas do karatê de Piracicaba para os Jogos Olímpicos (Foto: Geraldo de Paula)

Natalia Brozulatto soube da notícia enquanto treinava. A atleta recebeu a informação com empolgação. “É uma notícia muito importante, cresce uma esperança muito grande em meu coração. Acredito em meu potencial e em meu sonho. E quando estava grávida, um anjo da guarda disse para mim que Deus tinha um plano, para eu ficar calma. O plano é disputar as Olimpíadas. Estou muito confiante. Não vai ser nada fácil, classificar para os Jogos é muito difícil, mas estou preparada para focar nesta nova etapa do karatê”.

“Fiquei muito feliz, isso vai abrir muitas oportunidades para nós, tanto do ponto de vista do esporte como para atrair patrocinadores. É um sonho. Eu sempre escuto as pessoas perguntando quando: ‘Você vai para as Olimpíadas?’. Dava um pouco de vergonha dizer que o karatê não era um esporte olímpico, mas agora isso não existe mais. Realmente fiquei muito feliz”, disse Hernani Veríssimo, que assim como Natalia, vai disputar o Mundial de Linz, na Áustria, em outubro deste ano.

“É uma nova era que se inicia. Ainda não sabemos qual será o regulamento, não temos informações detalhadas, mas, de uma forma geral, esperamos que haja maior apoio, desde as bolsas concedidas pelos Ministério do Esporte, que dá um valor maior para os esportes olímpicos. O karatê também passa a fazer parte dos Jogos Mundiais Militares, isso acaba gerando algo muito positivo para os atletas. O fato de termos dois atletas na seleção adulta e mais três nomes na base dá uma grande esperança de que Piracicaba tenha uma grande esperança em 2020. Temos cada vez mais que participar de competições internacionais e pensar mais em ranking mundial”, completou Diego Spigolon.

Hernani Veríssimo, atleta da equipe de karatê Sport Way Piracicaba

Hernani Veríssimo diz que o sonho, enfim, virou realidade para os atletas de karatê  (Foto: Geraldo de Paula)

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