Opinião

Sobre os re-testes

Ouvimos com muita frequência no período pré-olímpico e especialmente após os escândalos recentes com relação ao doping nos esportes, uma grande movimentação das autoridades internacionais visando o esporte limpo. Nesse contexto, nos parece que as novas análises e testes feitos em amostras colhidas anteriormente têm chamado a atenção. Centenas de casos positivos têm aparecido, dentre eles muitos casos de atletas olímpicos que tiveram a oportunidade de chegar ao pódio muito provavelmente por conta do uso de substâncias proibidas.

A medida é válida, necessária e possível juridicamente. O prazo prescricional, ou seja, o prazo para a análise de amostras após serem coletadas passou de oito para dez anos com as recentes alterações do Código Mundial. Isso significa dizer que uma amostra pode não ser testada imediatamente, mas poderá ser avaliada dentro do prazo de dez anos para analisar possíveis infrações.

E é exatamente isso que está acontecendo. Não há nada irregular nas medidas; o que existe é uma grande soma de forças em busca da recuperação de um esporte saudável, limpo e que valorize a realidade, não a fraude. É fato! Com certeza muitos atletas devem estar se sentindo acuados neste momento, afinal de contas, embora pudessem saber da existência de normativas próprias ao tempo de suas conquistas, muitos não se atentaram a tais detalhes e provavelmente passam por uma fase crítica, especialmente em tempos de Jogos Olímpicos.

Certo ou errado? Difícil dizer. Todos têm sua própria história. Mas, certeza mesmo, é que cada um fez, no seu devido tempo, o que entendeu necessário e assumiu os riscos de suas ações. Agora, acuados ou não, resta apenas assumir as consequências naturais dos atos tidos anteriormente até porque, diante de uma farta e crescente tecnologia, talvez não haja muitas saídas. Sob esse aspecto, a justiça tarda, mas não falha.

E, nesse contexto, pode ser que tenhamos alguns novos rostos, algumas novas oportunidades e, de fato, um novo jeito de se fazer as Olimpíadas.

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Fernanda Bini é advogada, especialista em direito desportivo e colunista do portal LÍDER

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