Opinião

Sobre o caso Massad

Conversei com Paulo Camargo, técnico da seleção brasileira paralímpica andante e da Fran TT, duas vezes. Não o conheço. Nunca entrevistei Diego Moreira, atleta da equipe Fran TT convocado para os Jogos Paralímpicos. Falei uma vez apenas com Cláudio Massad, mesatenista de Bauru que entrou com representação no Ministério Público Federal contra a CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa) alegando irregularidades na convocação de Moreira. Massad levanta a suspeita de que a convocatória estaria comprometida por uma relação financeira entre Moreira e Paulo Camargo. E?

E o Ministério Público Federal que cuide do caso e a Justiça que determine quem tem a razão na batalha judicial. Não meto o bico. Não defendo lado A ou B. Mas sobre o critério adotado pela CBTM para convocar Moreira e deixar Massad ausente da Paralimpíada, preciso opinar. É legítimo apontar para o ranking mundial ou comparar o desempenho de Massad e Moreira. A vantagem de Massad é patente, o que não desmerece Moreira em absolutamente nada. Por que a CBTM convocou Moreira? A resposta é incoerente.

A confederação diz, em nota, que “Diego Moreira é forte, tem grande visão de jogo e ótimo entendimento tático […] pode, maciçamente, evoluir antes da Paralimpíada […] treina em tempo integral em Piracicaba, o que é importante para o entrosamento com a equipe e para as relações construídas com os companheiros, criando princípios de respeito, crença e confiança […] treina em nível máximo em dois períodos […] é positivo para o grupo pelo potencial técnico e físico”. A performance foi chutada para escanteio junto com a objetividade. Balela.

O Centro de Alto Rendimento Fran TT diz, em nota, que o próprio Massad foi convocado para disputar o Pan, em Toronto, “pelo mesmo sistema de indicação técnica que ele está questionando agora”. A informação dá margem para concluir que os critérios utilizados para os Jogos Pan-americanos foram igualmente esdrúxulos e que a subjetividade é conceito arraigado na Confederação Brasileira de Tênis de Mesa. E como qualquer juízo abstrato, é vulnerável e suscetível a críticas.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

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