Opinião

Sobre Canavarros e a coletiva de Claudinho

Corta a alma ler o texto escrito há pouco nas redes sociais por Phriscila Faller, esposa de Claudio Canavarros, que luta pela vida. Antes do lateral-direito do XV de Piracicaba está o ser humano, menino ainda de 21 anos e que está prestes a ser o pai de Caio, se Deus assim permitir. O mesmo Deus que a esposa de Canavarros cita seis vezes nas 20 e poucas linhas da carta que conseguiu escrever:

“Amor, continue criando forças. O Caio daqui a pouco estará aqui com a gente e precisa muito de ti […] sei que o que tu mais quer é ver o nosso menino nascer e todos sabem que tu vai sair dessa. Agradeço a Deus por estar dando forças para todos nós nessa batalha […]. Dentro de mim batem três corações: o meu, o do nosso bebê e o teu, que sempre está comigo, a cada dia que te vejo meu coração se enche de esperança e de mais amor […] Deus fez um milagre, os médicos dizem o quanto tu foi forte, está sendo e vai continuar […], Deus tem um propósito na tua vida, na minha e nas vidas de todos nós […] o Caio está com saudade dos beijos, dos carinhos do papai. Ele vai ser igual a ti e tenho muito orgulho disso”.

A leitura é dolorosa e a situação atingiu, sim, o elenco do XV. Claudinho Batista disse que está sofrendo muito com o “ocorrido”. A sensibilidade do treinador revela grandeza de caráter. Mas… Claudinho não se limitou a dizer que sofre. Disse que tem que dar continuidade ao trabalho, mas é difícil. Afirmou que um atleta o abordou durante o treino e falou que ele, Claudinho, estava para baixo. O técnico confirmou que estava mesmo. É exatamente isso que preocupa.

Claudinho não pode perder o controle. Ele é o comandante, foi contratado para administrar o elenco, independente da situação. Poderia aceitar os limites impostos pelo sentimento, mas em hipótese alguma colocar em dúvida a capacidade de superação. Na palestra pré-jogo contra o Corinthians, Claudinho deveria se apoiar no fato para inflar o aspecto psicológico de seus jogadores – e no esporte, isso tem valor imensurável.

Na estreia do Paulistão, é melhor que o XV não tenha a cara do seu treinador, mas jogue com a esperança de Phriscila.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

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