Opinião

Sobra soberba; falta humildade

Segundo o dicionário Aurélio, de Língua Portuguesa, a palavra ‘soberba’ significa a ‘qualidade de quem é arrogante, presunçoso, prepotente e intolerante. Comportamento que denota orgulho, que se acha superior; que expressa arrogância e presunção; etimologia (origem da palavra soberba): do latim superbia’.

Essa palavra resume o que é o São Paulo atualmente. Mesmo sendo eliminado do Paulistão, da Sul-Americana, da Copa do Brasil e na zona da degola do Campeonato Brasileiro, aqueles que comandam o ‘Time da Fé’ não têm humildade, não assumem seus erros e não fazem o mea culpa das besteiras realizadas nesta temporada. A entrevista do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, sobre a demissão do técnico Rogério Ceni foi ‘pra acabar’, como dizem meus alunos. Era melhor ficar calado, pois falou muita bobagem. Reforçou a pecha de soberba.

O mandatário do time do Morumbi teve a coragem de dizer que o clube deu todas as condições para Ceni trabalhar e que a diretoria não tem (ou não teve) qualquer responsabilidade no fracasso do ex-goleiro à frente do Tricolor. Tá bom. Então, quem inventou Ceni como treinador? Quem vendeu Luiz Araújo, Thiago Mendes, Maicon, entre outros? Mas não foi só o presidente Leco que tropeçou na sua altivez. O próprio Rogério Ceni abusou da arrogância. Não dava entrevista; só falava após as partidas, mas, invariavelmente, não admitia culpa nas derrotas; ‘queimou’ alguns jogadores (lembram-se do que ele fez com o Lucão?) e não ouvia o elenco, que teria dado por várias vezes opiniões sobre o plano tático da equipe.

Tudo isso mostra por que o ‘Soberano’ não ganha nada importante desde 2008 (quando venceu o Brasileiro). Tudo bem que conquistou a Copa Sul-Americana, em 2012, mas esse torneio era totalmente ignorado pelos times do continente – somente a partir deste ano a competição passou a ser levada a sério.

Agora, a bola está com o técnico Dorival Júnior. Campeão por onde passou – exceto no Palmeiras -, o ex-volante vem para fazer esse time jogar. Competência, Dorival tem de sobra. Resta saber se essa diretoria amadora do Tricolor Paulista deixará o treinador trabalhar. O contrato é até dezembro de 2018. A sofrida torcida são-paulina espera e sonha por dias melhores.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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