Opinião

Será que dá certo?

A Fifa resolveu ‘abrir os olhos’ para a modernidade e discute algumas mudanças para ajudar ao árbitro. Beleza. Até aí, tudo bem. O que se questiona, porém, é a eficiência dessas medidas. Será que ajudará ou prejudicará o futebol? Eu aprovo, por exemplo, a inclusão do árbitro de vídeo no esporte mais popular do planeta, mas com ressalvas. A primeira: desde que essa decisão saia em, no máximo, 30 segundos. Do contrário, sou contra. O futebol precisa de agilidade, entretanto, o que se tem visto é que, em alguns casos, a decisão externa chega ao árbitro principal após até três minutos ou mais. Assim não dá!

Outra ressalva é com relação à marcação de pênalti. O árbitro de vídeo tem de ajudar ao juiz principal na hora de assinalar a marca da cal. No jogo entre Portugal e Chile, válido pela semifinal da Copa das Confederações, nesta quarta-feira, o chileno Vidal foi claramente ‘calçado’ pelo defensor rubro-verde, isso quando faltavam cerca de cinco minutos para o término da prorrogação – e ninguém viu.

A ‘sorte’ foi que o goleiro Bravo pegou três cobranças na disputa de pênaltis e os sul-americanos conquistaram a vaga à final. Do contrário, seria uma tremenda injustiça. Mas, vamos voltar às propostas da Fifa. Outra iniciativa que eu ouvi das pessoas que pensam as regras do futebol é a fixação do tempo do jogo em 30 por 30, de forma decrescente, como no basquete, que tem quatro tempos de 10 minutos cada – na NBA, são quatro tempos de 12 minutos cada. Quando a bola para, o cronômetro também para. Gosto desta determinação porque, assim, acabaria com a ‘cera’ no futebol.

Em se tratando de mercado nacional, uma determinação que não consigo entender é a colocação dos árbitros adicionais no mesmo lado dos bandeirinhas nos jogos do Campeonato Brasileiro. É muita gente à esquerda do gol e ninguém do outro para ver as jogadas polêmicas. Perguntar não é ofensa, então lá vai: não seria mais produtivo colocar os adicionais no lado oposto ao dos assistentes?

A arbitragem vem sendo prejudicada a cada ano com o avanço de tecnologia, que mostra os seus erros dia a dia na TV. Por isso, a saída é aliar-se a ela. Mas tudo com parcimônia, com calma. Não deve-se fazer por fazer, só para dar uma resposta ao torcedor ou à imprensa. A experiência na Copa das Confederações é um bom teste e esperamos que as decisões sejam somente para benefício do futebol, para minimizar os erros e para a melhoria do espetáculo.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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