Opinião

Ser atleta

Sempre gostei de esportes. Na escola, jogava futebol, vôlei e também treinava karatê. Comecei quando tinha nove anos. Lembro até hoje das aulas no clube que eu frequentava quando era pequena, o Gran São João, em Limeira. Foi lá que surgiu o meu interesse pelo karatê, por ser uma luta, para aprender a me defender. Mas, na verdade, foi o vôlei que começou a abrir portas para mim: ganhei uma bolsa de estudos e consegui uma ajuda com passes de ônibus. Na época, eu vivia em Iracemápolis. Então, praticava vôlei e karatê, mas acabei faltando algumas vezes do karatê porque não tinha dinheiro para ir treinar.

O esporte é apaixonante na mesma proporção em que traz inúmeras dificuldades. Foram muitos momentos em que parei e pensei: “Não dá mais”. Eu vendia rifas, trufas, pizzas, fazia bingos... Tudo para treinar, pagar taxas de inscrição em campeonatos. Lembro muito bem de quando eu fazia brigadeiro. Perdia muito tempo, depois tinha que vender. Ficava acabada de cansaço. Ainda pequena, eu fazia ‘bico’ todo fim de semana de garçonete. Tinha dia que eu trabalhava até 2h da madrugada, chegava em casa tarde e, no outro dia, ia competir cedo. Muitas vezes, estava tão cansada que não rendia na competição. Minha infância foi um pouco complicada, não tinha muito tempo para brincar. Eu trabalhava para poder treinar. Olha, foi difícil…

Foi e é difícil para qualquer atleta que busca a excelência, mas o caminho também ensina que nada é impossível quando existe determinação para superar os nossos próprios limites. Derramei muito suor antes de chegar a Piracicaba, onde encontrei a oportunidade de evoluir. Veio uma bolsa de estudos e agarrei a chance como se fosse um sonho. Aqui me formei educadora física pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), estou construindo meu futuro – e minha família.

O esporte faz você crescer, valorizar cada uma de suas conquistas. Lembro bem da primeira medalha que conquistei: foi em um campeonato feito em Limeira, a Copa Albino. Quando ganhei o bronze, eu adorei! Até hoje tenho a medalha guardada. Foi com ela que começou uma história que, até agora, teve seu ponto mais alto no ano passado, no Canadá, com o ouro nos Jogos Pan-americanos de Toronto. Mas sei que a história ainda não acabou. No esporte, aprendi que não posso parar. Nunca podemos. Meu próximo objetivo é ganhar o Mundial deste ano, na Áustria. Garra e vontade de me superar a cada dia nunca faltarão. É a maior lição que o esporte já me deu.

Natalia Brozulatto é campeã dos Jogos Pan-americanos

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