Basquete

Sem recursos, XV vê incerteza rondar o clube

Situação faz pivô trabalhar como motorista de Uber; feminino para de treinar

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

O basquete do XV de Piracicaba vive dias de insegurança. Com a verba da Selam (Secretaria de Esportes, Lazer e Atividades Motoras) emperrada desde o início do ano, quando entrou em vigor o marco regulatório do terceiro setor (Lei Federal 13.019/2014), e o repasse previsto apenas para novembro, caso vença o chamamento público, o clube piracicabano atravessa importante crise financeira. O elenco adulto feminino não treina desde o dia 21 de junho, após reunião com a comissão técnica. Não há qualquer previsão de retorno e, conforme apurou a reportagem, o encerramento das atividades não está descartado.

O pivô Douglas Gorauskas passou a trabalhar como motorista de Uber para se sustentar

Diferente do feminino, que depende quase exclusivamente do repasse público, o plantel adulto masculino é patrocinado pela Raízen. As negociações para renovação do contrato entre as duas partes estão avançadas e devem ser concluídas dentro de dez dias. O clima, porém, é de incerteza entre os jogadores e a própria diretoria, que tenta buscar soluções para manter as equipes em atividade. O XV, inclusive, confirmou a participação nos Jogos Regionais, em Lençóis Paulista, quando representa Piracicaba. O clube deixou a critério de cada jogador a participação no evento, pois não haverá remuneração.

O ‘desfalque’ financeiro tem levado alguns atletas a procurar soluções alternativas para se sustentar. Há jogadores que trabalham com atividades ligadas à educação física, mas também há casos inusitados, como o pivô Douglas Gorauskas. Revelado pelo clube em 2001 e eleito pela FPB (Federação Paulista de Basquete) como melhor jogador da divisão de acesso do Campeonato Paulista de 2015, Gorauskas agora é motorista de Uber. O prejuízo no bolso não é privilégio de atletas. No feminino, por exemplo, o técnico Ariel Rodrigues pagou com ‘dinheiro do bolso’ as passagens de ida e volta para quatro atletas que moram fora de Piracicaba participarem dos treinos.

Douglas Gorauskas, pivô da equipe masculina de basquete do XV de Piracicaba

Douglas Gorauskas, pivô do XV de Piracicaba e agora motorista de Uber (Foto: Mauricio Bento/Líder Esportes)

Mas, o problema financeiro não é exclusividade do basquete. Em 2017, as associações esportivas não receberam dinheiro público. A legislação indica que o repasse de verbas para as associações esportivas poderá ser efetivado após o chamamento público, fórmula de seleção da melhor proposta obrigatória para a celebração de convênios com entidades sem fins lucrativos. O prazo mínimo para recebimento de propostas é de 30 dias. O repasse acontece apenas depois que as entidades tenham se adequado às regras.

Geralmente feito entre fevereiro e março, mês em que tem início as competições esportivas, o repasse em Piracicaba deverá ser feito em novembro. A maioria das entidades locais que defendem o município depende do convênio com a Selam (Secretaria de Esportes, Lazer e Atividades Motoras) para pagar os esportistas. A Pasta confirma que tem o dinheiro, mas enquanto não se adéqua ao marco regulatório, não encontra os meios legais de repassá-lo. No último dia 20, a prefeitura informou a situação aos responsáveis pelas equipes em reunião recheada de desencontros e discussões.

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