Opinião

Sem Cielo

É inegável que Cesar Cielo é o maior atleta da história da natação brasileira. O ídolo das piscinas, porém, sai de cena para a chegada da nova geração. Revelado no CCP (Clube de Campo de Piracicaba), o campeão olímpico de 2008, em Pequim, na China, perdeu nesta quarta-feira (20) a vaga olímpica nos 50 m livre para os ascendentes Bruno Fratus e Ítalo Manzini.

Aos 29 anos, o atleta nascido na vizinha Santa Bárbara d’Oeste perde, talvez, a última chance de ir aos Jogos Olímpicos – na próxima edição, terá 33 anos, idade considerada avançada para a prática da natação em torneios de alto nível. É, portanto, o fim do ciclo olímpico de nosso maior destaque das piscinas. Resignado, Cielo pediu desculpas à torcida e à família pela perda da oportunidade de nadar em casa e desejou sorte às novas promessas.

Não esperava, porém, o fim tão precoce. Tinha mais a dar ao Brasil. Claro que ele deverá ir ainda ao Mundial, por exemplo, mas é pouco para tamanho talento. No Rio de Janeiro, Cielo seria, com certeza, uma das principais atrações do Time Brasil – e atrairia muita torcida ao Parque Aquático. Posso imaginar a tristeza do competente treinador Reinaldo Rosa. O homem que revelou Cielo para o mundo, nas piscinas do CCP, concedeu a mim inúmeras entrevistas nas quais falava com alegria do pupilo. Sempre destacou o talento e o caráter do atleta. Mesmo distante, Cielo fazia questão de manter contato com Rosa. Até por isso, a decepção se acentua.

Porém, é vida que segue. Nos resta agora apostar e confiar nos novos talentos. Bater um campeão olímpico é um cartão de visitas e tanto para Bruno Fratus e Ítalo Manzini. Que eles honrem a tradição da natação brasileira – que começou lá atrás, com Ricardo Prado, passando por Fernando Scherer, Gustavo Borges e o próprio Cielo – e sigam em busca da medalha dourada. É a nossa torcida!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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