Corpo & Mente

Sedentarismo mata

Com as preocupações do dia a dia moderno, é evidente a falta de tempo para realizar atividades físicas. A população está preocupada cada vez mais com o plano de carreira profissional, deixando de lado a própria saúde. Mas, tudo isso tem grande preço. O diabetes, por exemplo, atinge cerca de 9% da população mundial; o tabagismo, 22%; a hipertensão, 28%; e o sedentarismo, mais de 60%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Os números colocam o estilo de vida sedentário como o maior de todos os fatores de risco do planeta.

Mulheres que praticam atividades físicas reduzem riscos de câncer de mama

Em diversos países, o sedentarismo já é considerado uma questão importante da saúde pública, com ações governamentais concretas para combatê-lo. Com base em todas as evidências epidemiológicas disponíveis, não seria exagero considerar o sedentarismo uma doença. Doença, aliás, que possui uma prevalência maior do que qualquer outra, situada na faixa entre 60% e 70% da população.

‘Fator de risco’ para uma série de outras doenças, muitas mortes são decorrentes do sedentarismo. Antes de matar, entretanto, o sedentarismo traz problemas de saúde como câncer, colesterol alto, depressão, derrame cerebral, diabetes, glaucoma, infarto e obesidade. A resolução para o problema? A prática regular de atividades físicas. Cerca de 30 minutos por dia, cinco dias na semana, estaria de ótimo tamanho. Calcula-se que uma pessoa que faça exercícios regularmente, dos 30 aos 60 anos, terá, em média, três anos de vida a mais do que uma pessoa sedentária. Porém, é preciso encontrar satisfação na atividade física. Eis o diferencial: realizar exercícios com satisfação, como alívio do estresse, válvula de escape para os problemas diários.

O sedentarismo ainda faz o corpo ficar mais resistente à insulina, o que, a longo prazo, pode resultar em um quadro de diabetes. Ao contrário, a pessoa que pratica atividades físicas regularmente produz mais receptores de insulina, o que facilita a captação de glicose e diminui o risco de diabetes. Vale lembrar que o sedentarismo é um dos responsáveis pelo acúmulo do colesterol ruim (LDL) na parede das artérias, aumentando a pressão arterial e podendo levar ao infarto. A falta de exercícios também é responsável pela diminuição do depósito de cálcio nos ossos e, posteriormente, a osteoporose, que aumenta o risco de fraturas.

MULHERES

Mulheres que praticam atividades físicas reduzem em 50% os riscos de desenvolver câncer de mama. Da mesma forma, pessoas ativas também se mostram mais resistentes ao câncer no intestino, por aumento do peristaltismo intestinal, o que ajuda a remover melhor o bolo intestinal. O combate ao sedentarismo, aliás, poderia evitar cerca de 70% das enfermidades que acometem os brasileiros. Com atitudes simples, como caminhar dez minutos até o ponto de ônibus na ida ao trabalho e outros dez na volta, passear com o cachorro, já é possível melhorar o condicionamento físico. Quer uma dica? O melhor a se fazer é colocar-se em movimento, fazer algo que lhe dê prazer e, ao mesmo tempo, contribua com a saúde. Mova-se!

Carlos Ribeiro é médico e colunista do portal LÍDER

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