Opinião

Rodrigo? Se vier para ficar…

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

Rodrigo negocia a volta ao XV de Piracicaba. É o zagueiro mais decisivo que o XV teve na última década. Chegou em 2013 e, de lá para cá, ganhou peso no vestiário do Barão da Serra Negra. Foi titular sempre. Com justiça. No clube, fez gol decisivo para conquistar título (Copa Paulista, em 2016) e para livrar a equipe do rebaixamento (A2, em 2017). É curioso que, sendo beque, a primeira imagem associada a ele seja o gol. Rodrigo tem sensibilidade de atacante. Lá atrás, quando sai para o jogo, poderia inventar menos. O tal do arroz com feijão. Mas, como zagueiro, é muito bom jogador para o XV de Piracicaba.

O que incomoda na possível volta de Rodrigo não é o futebol; bola ele tem para ser titular absoluto. O que perturba é a incerteza. De 2013 para cá, Rodrigo foi bem apenas no XV. No Paraná Clube, lesionou e voltou; recuperou-se, retomou o bom futebol e saiu para o Boa-MG. Em Varginha, perdeu espaço. O XV serviu de impulso para a carreira Rodrigo, que nunca viu Piracicaba como plano de carreira. Direito dele, fique claro. Nada a reprovar quanto à postura. Mas, com Rodrigo batendo às portas de novo, o XV precisa ceder menos do que já o fez com o próprio jogador.

Rodrigo tem 30 anos, é inteligente e sabe que terá poucas oportunidades de ganhar (bastante) dinheiro no tempo que lhe resta de carreira. Não será surpresa, caso confirme a volta e faça boa Copa Paulista, ele receber propostas para deixar o XV antes da Série A2, em 2018. A questão aqui é como a diretoria vai agir. Liberar o atleta e ficar com uma fatia de seus direitos econômicos, como aconteceu na transferência para o Paraná Clube, não faz sentido algum. Pela idade e, inclusive, pelo histórico de lesões, que deve ser levado em conta.

Como também não faz sentido firmar contrato longo para depois cedê-lo a custo zero, apenas para se livrar do pagamento de salários. O XV não pode virar refém do vínculo que tem com qualquer jogador. Rodrigo é ótimo nome, mas é viável apenas se vier para permanecer. Negociação somente com retorno financeiro. Neste caso, dificilmente a direção irá encontrar alguma opção melhor; não apenas pela questão técnica, mas considerando que o atleta sabe como funciona o clube e conhece o vestiário, o que considero fundamental na formação de qualquer equipe.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

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