Corpo & Mente

Resoluções de inverno

Resoluções de inverno

A última semana de junho é um momento bastante importante para nosso corpo e nossa saúde. De uma forma um pouco simbólica, em boa parte, mas ainda assim bastante importante. Começa poucos dias após a chega do inverno, época em que se fala mais sobre doenças respiratórias do que circunferência abdominal. E antecipa também em poucos dias o fim do primeiro semestre, o fechamento de um ciclo.

As academias, tal qual a formiga da fábula, precisam ter construído uma reserva durante o verão, já que a prática de exercícios diminui bastante – note como as áreas de lazer ficarão menos movimentadas. Ao mesmo tempo, a alimentação ficará um pouco mais livre, com mais gastronomia e menos nutrição. Coisas da época: no frio, a vida saudável ou fitness é um desafio ainda maior.

Workshop - Cassiano de Santis

A situação é até fácil de entender: a disposição tende a diminuir, especialmente no que envolve sair de casa. Junto disso temos o aumento das já mencionadas doenças respiratórias, que criam interrupções forçadas nos treinos – como as lesões, que se tornam mais frequentes nessa época, exigindo mais preparação da musculatura. Por fim, temos a questão estética, que leva tantas pessoas a suarem no verão: escondida pela blusa de frio, a barriga parece ficar mais à vontade para crescer. Os olhos não veem e o coração não sente.

Muitas pessoas ficarão mais sedentárias. Mas não vamos colocar toda a culpa no clima. Estamos também na época mais distante da virada do ano, quando avaliamos um ciclo e planejamos o próximo. É um momento em que os planos podem ficar esquecidos ou parecer desimportantes, e os velhos hábitos assumem o comando. Não há o apelo para a mudança e o clima de renovação estampado por onde passamos: a sociedade vive outro momento, em que outros valores e cuidados são importantes.

Embora o encerramento do semestre passe quase desapercebido (exceto para professores e estudantes), é bastante simbólico. Chegamos à metade do ano. Há seis meses, fomos incentivados a pensar sobre nossas vidas, sonhar com o que queremos e fazer planos. Pouco depois, a rotina novamente nos engoliu. Desde então, o que efetivamente mudou? É um momento oportuno para avaliar quais metas foram atingidas, quais hábitos foram alterados, quais se mantiveram, o quanto estamos satisfeitos.

Dificilmente uma resolução concretiza-se sem um plano ou, ao menos, algumas metas (é a razão pela qual apenas 2% a 4% das intenções de ano novo são realizadas). E um plano não está completo sem uma fase de avaliação, que mostre como cada parte do caminho foi percorrida. Finalizada essa avaliação, é hora de mais intenções, estas com uma finalidade especial: o que fazer nos próximos seis meses para que, no fim do ano, minhas resoluções sejam diferentes?

Cassiano de Santis é psicólogo com formação em Terapia por Contingências de Reforçamento

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