Futebol Americano

Referência, Cutters têm evolução ‘meteórica’

Criada há quase uma década, equipe evolui a passos largos no esporte

Marco Bucci, treinador do Piracicaba Cane Cutters
Marco Bucci é um dos responsáveis por trazer o futebol americano a Piracicaba (Foto: Mauricio Bento)

Do kickoff dado em 2008, a partir de conversas informais na extinta rede social Orkut, à concretização do time de futebol americano equipado, foram sete anos. No período, vieram três títulos do interior, duas taças estaduais e uma invencibilidade de quase duas temporadas no flag football, modalidade sem contato físico e que serve de porta de entrada para o entendimento do esporte. Apesar da trajetória recente, o Piracicaba Cane Cutters tem muita história para contar. E os autores da narrativa são jogadores que, sem o uniforme, se transformam em ‘gente comum’.

Cutters são tricampeões do interior e bi estaduais no flag football

A despeito do êxito, os Cutters são formados apenas por amadores, ou seja, atletas que estudam ou trabalham durante a semana e pagam do próprio bolso para entrar em campo aos sábados e domingos. Ainda assim, o esporte não para de ganhar seguidores. Como? No contexto local, é obrigatório recorrer ao nome de Marco Bucci, 39, para encontrar a explicação – foi ele o responsável por trazer o futebol americano à cidade.

“Comecei em São Paulo nos Locomotives (atual parceiro do Palmeiras), morei dois anos lá. Jogávamos flag football na Praça da Paz, no Parque Ibirapuera. Trouxe o esporte para cá junto com outros sonhadores que não buscam lucro algum. É a paixão que sustenta e faz crescer a modalidade”, disse Bucci, em entrevista ao LÍDER. O atual treinador dos Cutters, que também é professor de inglês, tentou jogar futebol americano equipado, mas suas limitações físicas o impediram – Bucci sofreu um grave acidente automobilístico quando tinha 24 anos e passou por diversas intervenções médicas.

CRESCIMENTO

No ano passado, os Cutters expandiram a área de atuação. Além do flag football masculino, o time piracicabano passou a contar também com uma equipe feminina de flag football e a disputar jogos de futebol americano com equipamentos – cada conjunto individual custa cerca de R$ 1.500, valor que sai do bolso de cada jogador. “Também temos nos dedicado a ensinar a prática do esporte a crianças de escolas públicas”, completou Bucci sobre o desenvolvimento de outra ação voluntária.

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Em menos de uma década, time virou referência no esporte (Foto: Divulgação)

O técnico conta com importantes ‘aliados’ na caminhada para a expansão da modalidade. Um deles é André Faber, o Botina, que atua como running back – corredor, em tradução literal. A posição tem como funções básicas o bloqueio para proteção do quarterback (armador)  e o deslocamento para recepção de passes. “Estou no time desde 2010, participei da primeira seletiva realizada pelos Cane Cutters. Na época, fiquei sabendo do time por meio de um amigo que viu o anúncio da seletiva em um jornal. Achava besteira esse negócio de jogar bola com as mãos, mas resolvi dar uma chance ao esporte. Foi bom demais, não queria saber de outra coisa. De lá para cá, colecionamos títulos e chegamos ao topo”, contou Botina.

Depois de ganhar tudo no flag football, os Cutters deram o passo definitivo rumo ao futebol americano no ano passado. Após uma série de amistosos, a estreia oficial aconteceu na Taça Nove de Julho. O resultado – apenas uma vitória na competição – foi decorrente da falta de experiência, mas nada que abale os ‘cortadores de cana’ piracicabanos. “Vencemos só um jogo, mas isso não foi motivo para desanimarmos, pelo contrário. Estamos treinando pesado para entrar mais fortes em 2016”, finalizou Botina.

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A EVOLUÇÃO DOS CANE CUTTERS

2008Marco Bucci reúne em Piracicaba um grupo de interessados em flag football por meio de comunidades da rede social Orkut. O grupo tinha adeptos de Cordeirópolis, Limeira e Iracemápolis, cidades que receberam alguns rachões.
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2009Os treinos passam a acontecer apenas no campo da Sinfesalq. A equipe faz quatro amistosos no segundo semestre: duas vitórias contra Indaiatuba e duas derrotas diante de Sorocaba.
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2010Ano da primeira seletiva oficial com a chegada de 30 jogadores que formam a base dos Cane Cutters. Os treinos passam a ser no campo do Tiro de Guerra. O time estreia no Caipira Bowl e fica em terceiro lugar.
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2011O Caipira Bowl cresce e começa a atrair clubes da capital, que preterem o torneio metropolitano. Cutters terminam em quarto lugar, com duas vitórias e quatro derrotas.
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2012É criada a Associação Pró-Futebol Americano e o Caipira Bowl se torna Conferência do Interior do Campeonato Paulista de Flag. Cutters conquistam a divisão invictos, mas ficam com o vice no Estadual.
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2013Os Cane Cutters vencem novamente o título do interior e conquistam o inédito Campeonato Paulista de Flag  de forma invicta após derrotar o Cronos Football na final: 22×16.
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2014A equipe começa a esboçar a participação na modalidade com equipamentos. No flag football, Cutters sagram-se tricampeões do interior e conquistam o bi estadual ao vencer a Lusa Lions por 22×20 fora de casa.
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2015Ano de transição nos Cutters, que não vencem nenhum título. O flag football vira ‘categoria de base’ e os veteranos se dedicam ao full pad. É criada a equipe feminina de flag football.
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2016Cerca de 120 candidatos se inscrevem para a seletiva masculina e mais de 30 na feminina. Os treinos de flag football passam a ser na Unimep. A equipe de futebol americano treina para competir no segundo semestre.

 

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Em 2016, os Cutters esperam dar outro passo rumo ao crescimento na modalidade equipada (Foto: Divulgação)

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