Opinião

Quinzes

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

O XV de Piracicaba do futebol masculino não é exatamente o XV de Piracicaba do futebol feminino, e menos ainda o XV do basquete, embora a letra de Anuar Kraide e Jorge Chaddad diga que no basquete ou futebol, é motivo de vaidade. O XV do futsal feminino também é diferente, mas, mais diferente ainda é o 15 do handebol, cujo nome é assim mesmo, com números ao invés de letras. O nome é parecido, mas não confunda: eles são independentes.

Na última semana, a Justiça bloqueou as contas do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba por uma dívida de 2011 que a Associação de Basquetebol XV de Piracicaba tinha com o ex-atleta Telmo. A juíza Isabela Tofano de Campos Leite Pereira ordenou o bloqueio de R$ 130 mil. O argumento dela foi o seguinte: o Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba cedia “seu” espaço para o time de basquete jogar, assim como as cores e as denominações. A juíza, portanto, alegou que o XV do futebol teria se beneficiado pelo  (bom) trabalho de Telmo, ex-jogador de basquete.

A decisão, patética, apenas prova os danos que a falta de conhecimento pode oferecer. Não faz qualquer sentido transferir a punição de A para B, sendo que A e B possuem CNPJs diferentes, não usam em hipótese alguma o mesmo nome e não têm as mesmas cores. Você alguma vez viu o XV entrar em campo de azul ou laranja? Não vale lembrar daquela camisa vergonhosa de 1995… Retomando: ao contrário do que afirma a juíza, o XV não pode ceder espaço para ninguém, pois atua no Estádio Municipal Barão da Serra Negra, que é tão municipal quanto o Ginásio Municipal Waldemar Blatkauskas, onde o time de basquete manda seus jogos.

O jurídico do futebol agiu rápido e a Justiça desbloqueou as contas do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba, cuja saúde financeira é crítica, mas estável. O saldo da ‘confusão’, porém, vai afetar as modalidades chamadas de “XV de Piracicaba”. No Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba, Conselho Deliberativo e Diretoria Executiva são quase unânimes na decisão de não ceder mais o nome para associações esportivas locais como o próprio basquete ou o futebol feminino, apesar da tentativa de convencimento feita pela Selam (Secretaria de Esportes, Lazer e Atividades Motoras).

No dia 19, a decisão será oficial. Mas, pode anotar: vem mais batalha judicial por aí, principalmente pelo futebol feminino, que conseguiu a vaga para a Série B do Campeonato Brasileiro de 2018, mas poderá disputá-lo somente como “XV de Piracicaba”. Há 17 pessoas interessadas em recorrer à Justiça, caso não haja a cessão do nome. De qualquer forma, é uma pena ver o esporte local esbarrando nas próprias pernas, enquanto os tribunais mostram-se incapazes de usar o bom senso. Triste.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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