Opinião

Quem assume a ‘bronca’?

Não vou cravar o rebaixamento do XV de Piracicaba na véspera, embora admita que eu seria surpreendido com a permanência. O que dá para dizer é que o clube não pode reclamar da sorte, caso seja rebaixado. Mas, onde o XV errou? E aquela história de ‘melhor elenco desde o acesso’? A resposta começou a ser construída após o jogo-treino contra a Caldense-MG – individualmente, havia qualidade; coletivamente, não funcionava. Há ainda jogadores que decepcionaram, como Aloísio ou Rodrigo Silva, porque renderam abaixo da expectativa. Gerson Magrão…

As escolhas de Claudinho Batista e Narciso foram equivocadas. Nenhum dos dois têm perfil para dirigir o elenco. O primeiro, infelizmente, foi presa fácil para a pressão – véspera de segundo jogo, morte de Cláudio Canavarros e o treinador explodiu em entrevista coletiva, disparando gratuitamente contra o pai de Ivan Oriani, diretor da base. Depois, teve o próprio esquema tático contestado pelo meia Héverton, aquele que ninguém sabe por qual razão foi contratado.

Claudinho Batista saiu e a diretoria caiu em contradição – procurava um perfil de treinador no mercado e trouxe Narciso, que não tinha nada a ver com aquilo que se buscava. Narciso cometeu erros infantis na condição de comandante – a insistência com Magal, a explicação ‘bizarra’ sobre a tarja de capitão (‘Fabinho é o capitão; Magal só veste a faixa’) e as substituições tardias (alguém entende a entrada de Rivaldinho aos 46min do segundo tempo contra o São Bento, em Sorocaba, perdendo o jogo?), além da falta de resultados, são argumentos que provam o erro. De Luiz Carlos Ferreira, prefiro não escrever. Apostar em um técnico para uma partida é desespero e ilustra a falta de planejamento.

E a diretoria? De tudo que já foi dito, não faz sentido insistir. Apenas um toque de atenção: cota não garante acesso e gestão de clube de futebol se mede pelos resultados em campo. As eleições de novembro devem ser pensadas a partir desta segunda-feira, independe de qual divisão esteja o clube. É necessário acabar com o roteiro visto a cada pleito de chapa única, poucas explicações, promessas vazias, nenhuma oposição e figurinhas repetidas. Agora, fica a pergunta: e quem é que assume a bronca?

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

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