Opinião

Que fase!

*Capa: Cesar Greco/Agência Palmeiras

O prometido Palmeiras dos sonhos vem dando pesadelos à sua torcida neste início de Campeonato Brasileiro. Um time sem inspiração, sem brilho, sem alma, sem qualidade técnica e, além disso, ainda vem falhando e muito no setor defensivo. É uma antítese, um paradoxo de emoções para um clube que pretendia ganhar tudo neste ano, mas já naufragou no Campeonato Paulista, passou de fase com derrota na Copa do Brasil e não encanta na Libertadores, competição que é o grande objetivo do ano.

Mas qual o problema do Palmeiras? São vários e muito fáceis de detectar. A fragilidade está em todos os setores. A começar pelo gol. Fernando Prass, grande ídolo da torcida, vem falhando seguidamente. Alguns cronistas dizem que o “Prass tem crédito de sobra”. Discordo. No futebol, como em todo setor, o profissional tem de produzir sempre. Jogar com o nome não dá. E é isso que está acontecendo com o Fernando Prass. O miolo de zaga não se acertou mais após a saída de Vitor Hugo. O lado esquerdo, então, é uma avenida, seja com o vovô Zé Roberto ou com o instável Egidio.

A ala direita, que tinha Jean como soberano, não produz nem com o titular do título de 2016, nem com Mike, recém-chegado do Cruzeiro, nem com Tchê Tchê improvisado. Falando em Tchê Tchê, o ex-Audax está em uma fase horrível. Não marca, não arma… O setor de criação, com Guerra, Róger Guedes e Michel Bastos, é uma tragédia só. Nem Dudu, grande estrela do Alviverde, consegue jogar nesta temporada. Cuca já tentou ainda com os novatos Hyoran e Rafael Veiga, sem sucesso.

E para completar, o homem mais caro das Américas, o colombiano Miguel Borja ainda não disse a que veio. Sinceramente, acredito no gringo. Vejo potencial nele, mas, por enquanto, nada. Tem de controlar os “chiliques” e jogar mais. Falta a ele garra, gana, vontade de vencer na vida. Em campo é muito lento, não marca a saída de bola, tem má vontade de correr atrás da ‘zagueirada’ adversária. Ufa! É muito problema! O então time estrelado até agora não apareceu. É uma constelação sem brilho.

Tudo bem que o técnico Cuca ainda não conseguiu colocar em campo o seu time titular. Porém, os rivais estão com desfalques também. O fato é que o Palmeiras tinha a obrigação de produzir mais. A queda no Paulista para a Ponte Preta já não foi bem digerida pela torcida, que não deve tolerar mais jogador “come-e-dorme”. Algumas coisas devem mudar, do contrário o ano que seria promissor será frustrante e sem taças.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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