Opinião

Quando vamos aprender?

Faz exatamente uma semana que aconteceu o Super Bowl 50, jogo que decidiu o título do campeonato de futebol americano nos EUA. Da abertura ao encerramento, passando pelo jogo, fiz muitos questionamentos, os quais compartilho nas linhas abaixo a convite do LÍDER.

Será que algum dia trataremos o esporte aqui como ele simplesmente é, ou seja, um entretenimento? Assistindo a abertura pela televisão, vi que uma hora antes do jogo o estádio estava vazio. Não tive ainda a oportunidade de vivenciar – e não tenho perspectiva, já que nossa moeda está cada vez mais desvalorizada -, mas acho incrível como na hora do jogo, o estádio está tomado! Eu moro ao lado do Barão da Serra Negra e lembro de pelo menos três vezes que cheguei 30 minutos antes da partida e não consegui entrar a tempo – e pior, ouvi o grito de gol do lado de fora do estádio!

O respeito, reverência e patriotismo na execução do hino nacional é outro aspecto sem comentários. O mundo inteiro pode falar mal dos norte-americanos, mas é visível como eles se sentem em relação à pátria. O hino tem sentido para eles, representa valores, tem significado! Aposto que se tivéssemos metade disso, hoje não estaríamos em tal situação.

Outra coisa: não vi policiais separando torcedores. Vi famílias juntas, lado a lado. Torço para que, no futuro, meus filhos gostem de esporte como eu. Quem os conhece, sabe que eles não são muito fãs. Eles não conseguem se “apaixonar”, não tem oportunidade para isso. Difícil ficar sentando no concreto! Difícil ir ver jogo bom, porque jogo bom tem que ter cuidado e eu, como pai, não quero expor meus filhos a tomarem pedrada como já tomei, para não falar de outras situações absurdas…

E os atletas? Todas vezes que pensamos neles, nos referimos aos craques… Esquecemos que 99% dos atletas brasileiros sofrem para realizar o sonho, desenvolver e potencializar seu talento. As condições são precárias, salários atrasados e pífios. Agora veja a carreira dos jogadores que disputaram o Super Bowl. Eles tiveram, desde o colégio, todo apoio e suporte para o desenvolvimento. Por isso, podem jogar no sacrifício por suas equipes.

E nós? Sediamos a Copa do Mundo e daqui alguns meses receberemos a Olimpíada. Resta torcer para não passarmos vergonha quando o mundo estiver esperando um espetáculo e apresentarmos somente batuque de tamborim e pandeiro…

Marcos Silva é técnico de basquete das equipes de base do Clube de Campo de Piracicaba

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