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Quando o esporte vence limitação e preconceito

Leandro Catalini supera as adversidades e pratica qualquer tipo de atividade

Leandro Catalini, paratleta
Leandro Catalini vai disputar o Campeonato Paulista de basquete sobre rodas (Foto: Líder Esportes)

Leandro Catalini, 24, nasceu com malformação congênita dos membros inferiores, mas isso não impediu que ele ‘respirasse’ esporte desde sua infância. O piracicabano já praticou tênis de mesa, natação, futsal… E, hoje, integra as equipes de basquete sobre rodas e atletismo da AAPP (Associação dos Amigos e Paradesportistas de Piracicaba), além de jogar uma ‘pelada’ com os amigos semanalmente. Na modalidade de bola ao cesto, o atleta se prepara para o Campeonato Paulista, que acontecerá entre março e outubro.

Catalini treina basquete sobre rodas e está em preparação para a disputa do Paulista

“Comecei a praticar esporte em nível de competição aos dez anos. Jogava futsal e futebol social na Associação dos Funcionários Públicos (AFPMP). Mas sempre gostei de praticar esporte, desde criança. Aos quatro anos de idade, já praticava natação pela Selam (Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Atividades Motoras). Era o Projeto Clarear. Aprendi a nadar e disputei por um tempo competições de natação, mas foram bem poucas. Comecei muito jovem”, disse.

Quando era criança, Catalini lutava contra o preconceito não apenas de outras pessoas, mas também dele mesmo, que se sentia incomodado por sua situação. “Era complicado por minha causa. Eu tinha um pouco mais de preconceito do que as outras pessoas. Mas, com o tempo, isso foi passando. Aos 12 anos, já tinha superado todos os preconceitos. Em relação a algum impedimento, como mobilidade e acessibilidade, sempre teve. Mas aprendi a superá-los também”, afirmou o piracicabano, que se locomove em cima de um skate.

Com foco no torneio estadual de basquete sobre rodas, o atleta treina às terças e quintas-feiras no miniginásio Garcia Netto – como o local atualmente está em reforma, o grupo tem se exercitado no ginásio Waldemar Blatkauskas. Catalini contou ao LÍDER como iniciou sua trajetória na modalidade. “Fui convidado quando tinha 14 anos. Uma pessoa me viu jogando tênis de mesa. A princípio, falei ‘não’. Tinha um pouco de preconceito porque achava que era uma coisa parada, mais calma. Mas, com 16 para 17 anos, quis vir. Assisti a um treino e montei na cadeira. Depois, não saí mais”, revelou.

‘PELADA’

Sem título

Leandro disputa ‘peladas’ semanais e impressiona pela impulsão que tem quando joga como goleiro (Foto: Arquivo Pessoal)

“Ele não tem as pernas. Como ele consegue pular e chutar?”. Segundo o piracicabano, essa dúvida toma conta daqueles que o veem em um campo de futebol social pela primeira vez. Catalini, inclusive, prefere ser goleiro a atuar na linha. “Sempre se impressionam. Não tem uma vez que as pessoas não fiquem espantadas em um primeiro momento. Alguns amigos meus, quando começam a jogar comigo, ficam com dó, chutam fraco… Mas isso dura dez ou 15 minutos. Depois, já começam a ‘descer o pé’, pisar na mão, porque tem como se jogar normalmente”, relatou o atleta.

Apesar de sua deficiência, ele nunca foi proibido de ‘jogar bola’. “É o que todo brasileiro faz: pega uma bola e começa a brincar. Como a minha deficiência é de nascença, não sei o que é ter uma perna. Então, para mim, nunca houve dificuldade em relação a isso. Para eu chutar e jogar no gol, tento fazer igual às outras pessoas, do jeito certo. Como minha mãe e minha avó me criaram sempre como uma criança normal, jogo bola desde pequeno. Quando fui ver, já estava jogando no gol, com outros meninos que não tinham deficiência”, declarou Catalini.

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