Opinião

Primeira final

Daqui a cinco dias, o XV de Piracicaba vai enfrentar o Água Santa no estádio Barão da Serra Negra. Terceira rodada do Campeonato Paulista, segundo jogo do Nhô Quim, primeira final. Já? Já! O XV precisa ganhar do Água Santa a qualquer custo. A vitória tranquilizaria o conturbado ambiente que vive o clube – pesado devido à morte de Canavarros. Vencer e convencer reinstalaria a confiança prévia ao Paulistão e confirmada após a boa partida contra o Corinthians – apesar da derrota. Perder…

Perder significaria zero ponto em duas rodadas. A convicção poderia ser afetada pela frustração – externa e interna. A carga negativa psicológica seria incrementada. A ideia está longe de ser exagero. Por duas razões: o prazo para recuperação no Campeonato Paulista é quase nulo; com três jogos, matematicamente, 20% da competição foi disputada. Consequentemente, a pressão aumentaria por inércia – é verdade que o elenco atual tem pouco menos de dois meses no XV de Piracicaba, mas o histórico é conhecido por todos os torcedores que criam a atmosfera do Barão da Serra Negra.

De 2012 para cá, a expectativa foi gerada sempre pela novidade. Agora, ela é alimentada pela probabilidade de confirmação. A conta é simples: partida em casa contra o caçula Água Santa, obrigação de vitória. E o que vem depois? Dá uma olhada no calendário. Mogi Mirim fora, Rio Claro, Red Bull e Palmeiras em casa, São Bernardo e Ponte Preta fora. Pronto. Metade do Paulistão. Daí para frente, é um ‘Deus nos acuda’. Ganhar do Água Santa é como frear a bola de neve em sua origem.

Claudinho Batista é peça fundamental nos dias que antecedem o próximo jogo. Jogador que foi, conheceu a dificuldade que exige a camisa do XV de Piracicaba. No papel de técnico, terá pela frente uma tarefa complicada. Não é um simples jogo, uma simples vitória. O futebol envolve mais do que isso. Claudinho terá de encontrar o ponto de equilíbrio exato nos aspectos tático e psicológico, terá de conscientizar o elenco sobre a importância do resultado, mas ao mesmo tempo não transformar a cobrança natural em peso extra para os jogadores. Como se fosse uma final.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

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