Opinião

Portelinha, educação e esporte

Há aproximadamente cinco meses, voluntários do Centro de Alto Rendimento Dojan Nippon dão aulas do projeto Em Busca de Campeões, que pretende levar o taekwondo marcial e esportivo para as comunidades da cidade. As aulas acontecem no campinho de areia do bairro Portelinha, em Piracicaba. Bem orientado, o esporte demonstra ser uma ótima ferramenta de socialização e inclusão social, possibilitando às crianças e adolescentes o direito que muitas vezes é privado dos mesmos, além de oportunizar a prática de exercício físico, cada vez mais marginalizado em nossa sociedade que visa à educação capitalista, preparando nossas crianças para o mercado de trabalho.

O taekwondo busca ir além do esporte, dos movimentos marciais, dos golpes. A arte se embasa em cinco princípios: cortesia, integridade, perseverança, autodomínio e espírito indomável. É a partir deles que os valores são trabalhados no projeto. A princípio, o intuito é possibilitar a prática esportiva-educativa, a socialização e diversão dos participantes, mas aqueles que se destacam são convidados a integrar a equipe Dojan Nippon, passando a treinar no Centro de Alto Rendimento.

Em um país que não tem uma educação voltada para o esporte, uma cultura esportiva, e sim a cultura futebolística -para homens – o projeto Em Busca de Campões se destaca, pois leva para dentro da comunidade os valores da luta, do esporte medalhista olímpico, o taekwondo. Participam do projeto 30 crianças e adolescentes, evidenciando que existe interesse e espaço para outros esportes; basta que esses sejam oportunizados para nossa sociedade. Na Olimpíada, os atletas que conquistaram o ouro inédito no futebol vão receber cerca de R$ 500 mil em premiação da CBF – valor 14 vezes maior do que a premiação dada pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) aos medalhistas das outras modalidades.

No início dos Jogos, o COB determinou que todos os atletas que subissem ao pódio em competições individuais, independentemente da cor da medalha, receberiam R$ 35 mil. O ‘bicho’ para as conquistas em esportes coletivos seria a metade, R$ 17,5 mil.  Dono de três medalhas na Rio-2016, o canoísta baiano Isaquias Queiroz vai receber ao longo de um ano R$ 132 mil da CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem) como prêmio.

Na contramão da falta de valorização esportiva no Brasil, o projeto Em Busca de Campeões busca possibilitar às crianças e adolescentes a prática do esporte, que vai muito além da luta, da competição, que demonstra ser uma ótima ferramenta de educação, respeito e que preza pela cultura da paz, valores que a cada dia estão mais em falta em nossa sociedade.

Igor Leone é psicólogo do esporte

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