Opinião

Perfil

Em fevereiro do ano passado, o XV de Piracicaba demitiu Claudinho Batista e o presidente Rodrigo Boaventura, na única situação em que manteve sintonia com o então vice, Renato Bonfíglio, disse que o perfil do substituto deveria ser estilo ‘murro na mesa’. O final da história, nós sabemos: veio Narciso, cujo perfil está longe de cumprir o anunciado, o XV de Piracicaba não reagiu e caiu para a Série A2 do Campeonato Paulista. Narciso abandonou o barco antes de afundar; Luiz Carlos Ferreira, pasmem, dirigiu a equipe rebaixada em Itápolis.

A queda derrubou Boaventura e Bonfíglio, e trouxe de volta Celso Christofoletti, acompanhado de Ricardo Moura. O futebol, porém, ficou ao cargo de Beto Souza, gestor de futebol contratado para profissionalizar o departamento. O currículo de Beto Souza é curioso: após quase duas décadas de Corinthians, em papel secundário, não de protagonista, o gestor deixou o Parque São Jorge para rodar o interior na condição de homem forte do futebol. Desde então, é uma no cravo e outra na ferradura: acessos, títulos e rebaixamentos quase intercalados.

Beto Souza não foi o maior responsável pelo título da Copa Paulista conquistado pelo XV de Piracicaba e não é o maior responsável pela crise atual. Assim como Marlon não foi o maior culpado pela queda em 2016. A maior parcela recai sobre a diretoria, para bem e para mal. Ao efetivar Ronaldo Guiaro da noite para o dia, precipitadamente, a direção atual repetiu o erro da anterior. Claramente, ele não tem o perfil desejado: não é experiente para o cargo e não conhece a divisão. Nenhum treinador que negociou com o XV após a saída de Cléber Gaúcho tem perfil parecido com o de Guiaro.

Na terra do politicamente correto, é obrigatório explicar que Ronaldo Guiaro é bem intencionado, honesto e conhece futebol, mas não me parece ser o nome ideal para o momento. As entrevistas servem de argumento para apontar a imaturidade, que, convenhamos, é natural. O elenco precisa de uma liderança, pelo menos é o que deixa transparecer. Mas, como disse o próprio Ronaldo Guiaro, o segredo para conseguir algo é o trabalho. E quem garante que não vai conseguir? Em 2010, brigando contra o rebaixamento para a quarta divisão, o XV efetivou o inexperiente Moisés Egert, que tinha características parecidas com Guiaro. Deu no que deu. Cara ou não, a diretoria sabe que vai pagar a conta. O risco é iminente.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

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