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Paraquedismo ‘enfeita’ o céu da Noiva da Colina

Campeão brasileiro em 2015, Nilo Faber Neto elogia estrutura de Piracicaba

Henrique Sanches e Nilo Faber Rota, atletas da Atmos Paraquedismo
Henrique Sanches e Nilo Faber Neto (à direita) são os atuais campeões brasileiros (Foto: Arquivo Pessoal)

O esporte em Piracicaba não se resume a campos, quadras ou tatames. Longe disso. Há um grupo de pessoas que faz história no céu. Literalmente. É lá do alto que, todo fim de semana, os paraquedistas saltam em busca do aperfeiçoamento, em uma mistura que envolve técnica e coragem, capaz de temperar o esporte com plasticidade. Parque aéreo bastante conhecido entre os praticantes do paraquedismo, a cidade tem suporte que não deve nada a nenhum grande centro do planeta, segundo os atletas.

Na categoria free fly, saltam três pessoas: dois atletas e um câmera, que faz a filmagem do voo

Dona de uma estrutura que inclui restaurante, salas de treinamento e conteúdo audiovisual para estudos, além de espaço para dobragem, a escola Atmos é referência em paraquedismo. Campeão brasileiro de iniciantes no ano passado, o piracicabano Nilo Faber Neto é testemunha da qualidade do trabalho realizado na cidade. “Piracicaba tem o privilégio de contar com um aeroporto bem equipado, hangares muito bem estruturados e uma pista asfaltada para pouso de aeronaves. O ambiente é voltado principalmente para atletas”,  disse.

No Brasil, o esporte é organizado pela CBPq (Confederação Brasileira de Paraquedismo) e a principal competição do país é o Campeonato Brasileiro. O torneio é dividido por modalidades como wingsuit, free fly ou four way. Nilo é praticante do free fly, a mais dinâmica das variantes. Nela, é permitido o voo em 3D, em que o atleta utiliza todos os eixos do corpo e pode se posicionar em pé, de cabeça para baixo, de costas… Independente da posição, o paraquedista controla o voo, que é estável, sem perder referentes.

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Os grips (trocas de contato) são importantes para a definição das notas dos juízes (Foto: Arquivo Pessoal)

Na categoria free fly, saltam três pessoas – dois atletas e um câmera, que entrega a filmagem para o árbitro. Em eventos oficiais, são realizados saltos compulsórios (pré-definidos pelos juízes) e saltos livres, em que os competidores definem a sequência e são avaliados pela precisão. “O que mais pontua é a proximidade do câmera com os dois voadores; o heading, que seria algo como passar todo o voo passa em uma paralela, no horizonte em relação ao câmera; e os  três tem que voar no mesmo nível, para deixar o voo simétrico, fluxo mais constante. É um pouco de arte,  tem que estar bonito”, disse Nilo, que também destaca a importância dos grips (trocas de contato) para a definição das notas – sempre subjetivas.

MODALIDADES

Atualmente, Piracicaba tem pelo menos 20 paraquedistas que treinam constantemente e disputam competições. A maioria deles, pratica o esporte há mais de uma década e treinam todos os fins de semana no aeroclube local. Dez ou 20 anos de paraquedismo, todos os finais de semana treinando no Aeroporto Pedro Morganti. Além do free fly, outras duas modalidades têm bom número de adeptos: wingsuit e four way.

“O wingsuit é aquela em que os atletas usam uma vestimenta que parece uma roupa de morcego, que permite voo com maior duração e distância. Isso exige uma habilidade maior, precisa ter pelo menos 200 saltos. Já a four way é mais antiga, o voo é com a barriga para baixo. Como diz o nome, são quatro pessoas e um câmera, e eles têm que fazer o máximo de troca de grips o mais rápido possível”, explicou Nilo.

INTERESSE

Bem antes de se sagrar campeão nacional em 2015, Nilo já sonhava alto. Bem alto. “Queria voar desde que eu nasci. Qual criança nunca sonhou em ser o super-homem e voar pela cidade toda? Já adolescente, eu tinha um vizinho que era um paraquedista muito famoso (José Ambrósio Fischer) e fazia o salto de precisão, o mais complicado. Imagine sair de um avião a 12 mil pés e pousar em um ponto exato, que tinha o tamanho de uma bola de futebol? Toda vez que eu ia na casa dele, brincava com o filho e via as fotos. Ficava pensando naquilo”, disse.

O medo da família e o alto custo do paraquedismo foram as primeiras barreiras encontradas no esporte. As dificuldades levaram Nilo a tomar uma decisão: se não saltasse até completar 24 anos, abriria mão do sonho. A oportunidade veio por acaso. “Foi em uma sexta-feira, eu já tinha 23 anos e estava tomando uma cerveja em um barzinho com amigos, quando um cara (Ricardo Silveira) que conhecia meus amigos chegou e começou a bater papo com a gente. Ele era instrutor de paraquedismo. Quando contei minha história, ele disse: ‘Vamos amanhã’. Eu topei na hora. Fiz o curso no sábado e saltei domingo”.

Desde então, foram quase 400 saltos. E a conta seria bem maior se não fossem sete anos de interrupção – como trabalhava em período integral e estudava à noite, Nilo não conseguia se dedicar ao esporte. O retorno aconteceu em 2013, quando ele conheceu o paraquedista Renan Sacomani, em Boituva – cidade que é referência nacional na modalidade. Ao lado de Henrique Sanches e Piuí – que depois cederam lugar para André Ramos e, posteriormente, Rodrigo Miranda, o piracicabano formou um trio campeão nacional:  o Bubble Trouble.

“O nome surgiu porque todos estavam com problemas de relacionamento (risos), mas ainda assim conseguimos o título de campeão brasileiro iniciante, em 2015. Não dá para explicar a sensação de treinar o esporte que você ama, participar de uma competição e ser campeão. Levamos o Campeonato Brasileiro como se fosse uma brincadeira, saltamos para nos divertirmos. Isso nos deu tranquilidade fundamental”, completou.

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Henrique Sanches toca os pés de Nilo Faber Neto, em salto da modalidade free flay (Foto: Arquivo Pessoal)

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