Opinião

Para ficar na história

Acompanhei pela TV as homenagens da torcida da Chapecoense e do Atlético Nacional em Chapecó e em Medellín, nesta quarta-feira à noite, no horário em que os dois clubes deveriam estar em campo pela final da Copa Sul-americana. Fiquei especialmente emocionado com o que aconteceu no estádio Atanasio Girardot, na Colômbia. Ouvir mais de 40 mil vozes cantando “vamos, vamos Chape” foi demais! São atitudes como essas que nos fazem acreditar nos seres humanos!

Várias faixas colocadas no estádio pelos colombianos também ratificaram o elo eterno entre os dois alviverdes. Homens, mulheres e crianças, todos vestidos de branco e com uma vela na mão, deram o recado: a solidariedade deve ser uma rotina entre os povos. Além da arena lotada de torcedores celebrando a vida e os heróis da Chape, nas cercanias do estádio havia outros 100 mil colombianos que, logicamente, não conseguiram entrar para participar da homenagem. Quem não viu, vale a pena procurar na internet e ver. Nunca vi nada igual em toda a minha vida!

Durante a cerimônia, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, foi o responsável por agradecer ao povo colombiano. Tocado com que viu, Serra disse pelo menos 20 vezes a frase ‘muchas gracias’ durante seu discurso. Representantes da Chapecoense, da Prefeitura de Chapecó (SC) e da Conmebol também estavam presentes. O que os colombianos fizeram nesta noite de 30 de novembro ficará na história do futebol, dois dias depois da maior tristeza do nosso esporte preferido. Tenho certeza de que o Atlético Nacional de Medellín ganhou mais 200 milhões de torcedores no Mundial de Clubes da Fifa, neste final de ano.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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