Futebol

O XV vai jogar? Shime e Gordinho estarão lá

Dupla acompanhou as 47 partidas oficiais do XV de Piracicaba em 2017

Lucas Furlan e Guilherme Schmidt, torcedores do XV de Piracicaba
Lucas Furlan e Guilherme Schmidt são torcedores fanáticos pelo XV de Piracicaba (Foto: Líder Esportes)

O XV de Piracicaba disputou 47 partidas oficiais em 2017: 19 pela Série A2 do Campeonato Paulista; seis pela Série D do Brasileiro; e 22 pela Copa Paulista. O estudante Lucas Furlan, 17, e o aprendiz de marceneiro Guilherme Schmidt, 21, estiveram em todos os jogos do Nhô Quim nesta temporada. A dupla tem o objetivo de chegar a 100 partidas consecutivas acompanhando o time piracicabano. Na conta atual, são mais de 70 jogos em que Gordinho e Shime, como são chamados, respectivamente, figuram como presença constante nas arquibancadas.

“Comecei a acompanhar mesmo em 2008, quando o XV estava na fase final da Copa Paulista. É algo que vem de família. Gostei do ambiente e acabei me apaixonando. Em 2011, eu e o Shime entramos praticamente juntos na torcida. Nós estamos presentes em qualquer jogo, não importa a divisão ou a distância”, contou Gordinho. Ele e o amigo são integrantes da Torcida Uniformizada Esquadrão (TUE), a principal organizada do XV de Piracicaba. “O que nos move é a paixão e isso não se discute. Quando a ‘zebrada’ entra em campo, nós temos que estar juntos”, afirmou Shime.

‘Mas a gente vai mesmo assim. Eu fico mal quando perco um jogo. Nós apoiamos do Amapá ao Rio Grande do Sul’

Em 2017, eles viram o XV jogar pela primeira vez fora do Estado de São Paulo. A aventura pela Série D do Brasileiro foi abreviada na primeira fase e não terminou como o clube planejava, mas a experiência, para os dois torcedores, foi inesquecível. Para Gordinho, a viagem para Brusque (SC) foi a mais emblemática. “Infelizmente, perdemos por 3×1, mas foi a primeira caravana fora do Estado. Fechamos um ônibus com o pessoal que está sempre junto. Foi bem legal”, relembrou. Shime preferiu a última partida do Nacional.

“A melhor viagem foi para Rio Grande (RS). A caravana foi a mais distante, viajamos de avião e curtimos. O XV virou no finalzinho, aconteceram várias coisas… O coração não aguenta, viu? É verdade que fomos eliminados, mas, para mim, foi o melhor jogo”. O jogo contra o São Paulo-RS foi também a menor caravana da torcida. De acordo com eles, 14 pessoas empurraram o XV no Sul: dez de Piracicaba, uma de Florianópolis, uma de Porto Alegre e um casal que estava em Rio Grande e acompanhou o jogo.

A dupla é presença constante em todos os jogos do XV no Barão da Serra Negra (Foto: Líder Esportes)

Gordinho e Shime pensam ‘igual’ quando o assunto é a pior partida do ano: a eliminação para a Internacional, na Copa Paulista. “O pior foi em Limeira, viu? Eu acreditava bastante que o XV ia para a final, perdemos o jogo e ainda os pênaltis que os nossos jogadores perderam… Cair em um clássico regional é muito difícil”, afirmou Gordinho. “Pelo sentimento, eu concordo com o Gordinho que o pior foi em Limeira. Mas um jogo a ser lembrado também foi em Penápolis, quando perdemos por 2×0. Para piorar, não tinha água, não tinha comida, nada… É longe pra burro. Esse foi o pior”, completou Shime.

História é o que não falta para a dupla. Geralmente, elas acontecem antes ou depois de a bola rolar. “A gente passa por várias coisas. Voltando de Brusque, por exemplo, o pneu estourou na Serra do Macaco. E em Bauru, na Copa Paulista? O ônibus teve uma pane elétrica e não funcionava nem o farol, o painel estava apagado. A gente colocou três lanternas de celulares no ônibus para chegar em Santa Maria. Lá, pagamos para um cara fazer nossa escolta de carro, mas o motorista do ônibus queria podar o cara, veio com um papo que estava faltando pressão (risos)”, contou Gordinho. “Mas a gente vai mesmo assim. Eu fico mal quando perco um jogo. Apoiamos do Amapá ao Rio Grande do Sul”, reforçou Shime.

Membros da TUE, os dois têm opiniões diferentes quando o assunto é o preconceito sofrido pelas uniformizadas. “Muita gente não entende o nosso lado, mas não vejo isso como preconceito. Torcida é festa na arquibancada, comemoração e churrasco com cerveja. A pessoa que acompanha apenas pela mídia, pensa que o torcedor organizado é vagabundo, que vive gerando violência. Não é isso. Aqui tem gente pobre e rica, de qualquer classe e educação”, ponderou Shime. “Rola preconceito, sim. Julgam as roupas que vestimos. A sociedade, em geral, descrimina a torcida organizada”, considerou Gordinho.

As diferenças, porém, acabam quando a pergunta é sobre as expectativas para 2018. O sonho em comum é o acesso à elite do Campeonato Paulista, quem sabe, com o hexacampeonato da Série A2. “O XV vem forte, temos que subir para a Série A1, que é o nosso lugar. Vamos tentar ir em todos os jogos no ano que vem, também. O nosso objetivo é chegar a 100 partidas consecutivas”, finalizou Shime. “Dá para perceber que o time é bom. Nós sempre vamos querer o melhor para o nosso clube, que é o XV de Piracicaba. O ano que vem, é o ano do hexa da A2”, completou Gordinho.

Shime e Gordinho, em jogo no Morumbi, contra o São Paulo em 2016 (Foto: Mauricio Bento/Líder Esportes)

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