Opinião

O pior já passou

O susto que o lateral-direito Canavarros nos deu na última segunda-feira (25) – uma parada cardíaca enquanto treinava com o XV de Piracicaba no estádio Barão da Serra Negra – foi muito grande, mas o pior já passou. Mesmo sabendo que é algo que pode ocorrer com qualquer atleta, seja profissional ou amador, ninguém espera passar por situação tão complicada como aquela. Agora, a esperança é que ele volte aos gramados o mais breve possível.

Quanto à responsabilidade do Alvinegro, nada a contestar. Pelo contrário. Todos os exames foram realizados e, na hora do ocorrido, o socorro foi feito prontamente – o que acredito que foi decisivo para a preservação da vida do lateral-direito. Conheço o médico José Roberto Alleoni, diretor adjunto do departamento médico do clube há dez anos – na época em que comecei a cobrir o Alvinegro, ainda estava na Série A3 do Campeonato Paulista – e posso atestar sua competência profissional. Assim, podemos concluir que foi uma fatalidade.

Esse caso faz me lembrar do zagueiro Serginho, do São Caetano, que, infelizmente, não resistiu. Foi na noite do dia 27 de outubro de 2004, no Morumbi, contra o São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro. Eu era editor do jornal Folha Metropolitana, em Guarulhos. Era mais um dia de trabalho e eu acompanhava o duelo antes do fechamento do caderno de esportes. O lance foi chocante e as imagens foram vistas ao vivo para todo o Brasil. O zagueiro, então com 30 anos, caiu no gramado após sofrer uma parada cardiorrespiratória e morreu cerca de uma hora depois, já no Hospital São Luiz, Zona Sul da capital.

Depois da morte de Serginho muita coisa mudou. O uso do desfibrilador em campo tornou-se obrigatório, assim como o acesso das ambulâncias ao gramado foi facilitado, entre outras melhorias. Hoje, por exemplo, não se admitem estádios como o antigo Palestra Itália, que era um “jardim suspenso” e não permitia a entrada de ambulâncias no gramado. O que mais esperamos, no entanto, é que nunca mais vejamos cenas como essas em nossos estádios. Quanto ao Canavarros, fica a nossa torcida e de toda a nação quinzista.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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