Opinião

O maior clássico

Nesta semana, depois do polêmico clássico entre São Paulo e Corinthians e as provocações fora de campo, antes e após o duelo do Morumbi, o goleiro Cássio, em entrevista coletiva, disse que hoje o maior rival corintiano é o Tricolor. Um dia após a declaração do goleiro, o volante Maycon afirmou que o maior rival seria o Palmeiras. O mais legal disso tudo é a discussão sadia, que vem da arquibancada e reflete no dia a dia da imprensa e profissionais da bola. Não havendo violência, é válido. O que eu reprovo, porém, é essa provocação via as redes sociais oficiais dos clubes. Não é recomendável.

Sobre a questão de qual é o maior clássico paulista, eu fico, em dúvida, com o dérbi. Corinthians e Palmeiras ou Palmeiras e Corinthians é o tradicional e principal jogo paulista e também um dos maiores do Brasil. Uma rivalidade que nasceu no Bom Retiro e no Brás, bairros da região central da capital, nos anos 1910 do século passado. Bom Retiro, a maternidade alvinegra; e o Brás, de onde surgiriam os primeiros palestrinos.

O dérbi é um dos maiores duelos do mundo. Que ‘ferve o sangue’ latino de espanhóis e italianos, respectivamente as duas nações que influenciaram Corinthians e Palmeiras, por terem entre os seus fundadores pessoas vindas destes dois importantes países da Europa. O clássico Palmeiras e Corinthians é tão importante que já foi tema de centenas de documentários e filmes, a começar pelo ‘O Corintiano’ (1967), de Mazaropi, cujo enredo é a eterna briga entre um torcedor alvinegro e seu amigo, um enfezado italiano; passando pelo ‘Boleiros’ e ‘Casamento de Romeu de Julieta’.

Considero Grêmio e Internacional o maior clássico do Brasil. Confesso. Porém, acredito que Palmeiras e Corinthians esteja entre as dez maiores em rivalidade no mundo. Para mim, o superclássico argentino Boca Junior e River Plate é o maior em rivalidade, seguido de Nacional e Peñarol, no Uruguai. Dizem, no entanto, que nada se compara a Fenerbahçe e Galatasaray. Os rivais turcos realmente fazem um clássico de sair faísca dentro de campo, além da violência de seus torcedores fora dele.

Exceto à violência, a história na Turquia é hilária, muito engraçada, e mostra a essência do jogo: a festa e os opostos no futebol. É a beleza do maior esporte do planeta. Por isso, seja lá qual for o maior clássico do mundo, o mais importante é o lazer, a brincadeira, a rivalidade sadia. É a ‘zoação’ às segundas-feiras. Tudo, logicamente, dentro do mais absoluto jogo limpo. Sempre.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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