Judô

‘O judô espanhol é bem diferente do brasileiro’

Em intercâmbio na Espanha, piracicabano analisa prática da arte marcial no país

Judô
O judô europeu é menos técnico, mas usa mais a força segundo Giordano (Foto: Ilustração)

Campeão dos Jogos Regionais defendendo a cidade de Campinas, o judoca piracicabano Giordano Martinelli, atleta da academia Heisei, está na Espanha para estudar economia. O lutador ficará seis meses em Granada, na comunidade autônoma de Andaluzia. Mas, engana-se quem pensa que o período na Europa o afastará dos tatames. “Descobri através da internet um local para a prática do judô de boas referencias em Granada. Chegando lá, fui muito bem recebido pelo sensei Juan Bonitch”, contou Giordano. Na entrevista, o atleta compara o judô brasileiro com o espanhol e fala sobre as experiências no Velho Continente. Confira:

LÍDER: Existe muita diferença entre o judô brasileiro e o espanhol?
Existe sim. O judô brasileiro, no geral, segue a escola japonesa, de mais técnica e menos força. Já o espanhol vem da linha do judô europeu, ou seja, um judô em geral de menos técnica, mas muita intensidade, físico, força.

LÍDER: Pensando apenas na questão esportiva, você acredita que a experiência na Europa te fará um atleta mais maduro?
Sim, sem dúvida. Granada é uma das cidades da Europa que mais recebe intercambistas, portanto, o meu contato no judô não é só com os espanhóis, mas com pessoas de vários países diferentes. No treino em que participo, tem cubanos, holandeses, ingleses, italianos, marroquinos… Assim, tem sido muito interessante ver o tipo de judô que cada país faz. Além do mais, essa experiência me faz sentir que nós, da academia Heisei, onde fui ‘criado’ pelo sensei Beninho Mattos, estamos no caminho certo, do judô japonês, técnico, sempre em busca do ippon, que é o que constitui a verdadeira essência do judô, na minha opinião.

LÍDER: Como é que os espanhóis entendem a filosofia do judô, não no sentido olímpico, da competitividade, mas em relação aos conceitos da arte?
Neste quesito, eles são muito parecidos com o judô brasileiro. Na Espanha, eles pregam o respeito, o esforço e a humildade, ou seja, os pilares da filosofia do judô. No entanto, acho que devido ao fato de os pioneiros do judô brasileiros serem japoneses, no Brasil ainda aplicamos algumas liturgias que na Europa não se utilizam, como cumprimentar ao entrar e sair do tatame, por exemplo.

LÍDER: Você já sabe se terá a oportunidade de disputar alguma competição na Europa?
O calendário aqui é um pouco diferente do brasileiro. Enquanto começamos as competições em março, aproximadamente, e terminamos em novembro, eles começam o calendário em agosto e terminam entre maio e junho. Logo, para competir no segundo semestre deles eu teria de ter lutado algumas competições do primeiro semestre e me classificado. A maioria das competições deste semestre em que eu estou na Espanha são as etapas finais. Todavia, se houver alguma competição que não exige classificatória, eu pretendo participar sim.

Início