Opinião

O futebol cobra resultados

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes/Orientec

Porque que Cléber Gaúcho foi demitido do XV de Piracicaba? Simples. Porque os resultados não apareceram na Série A2 e não é possível mudar o elenco inteiro. Alguns podem dizer que os erros foram da diretoria, referente a contratações e renovações; outros podem colocar a culpa nos jogadores, no que se refere a vontade, garra e qualidade técnica; e há aqueles que acreditam ser o treinador o responsável pelos resultados, devido à insistência em algumas formações e escalações. A meu ver, todos tem sua parcela de culpa.

Mas, porque sobrou para o treinador? Porque o campeonato está em andamento, é possível reagir, e para isso é necessário mexer com o ânimo dos jogadores, seja através de novas ideias ou formações da equipe. Não dá para mandar meio time embora, já que só restam duas inscrições. Se a competição estivesse no final, com o XV permanecendo na divisão, talvez a decisão fosse outra. Daria para trocar o time e segurar o técnico. O XV demitiu um bom treinador, um cara do bem, mas o momento pedia a troca no comando.

Muricy Ramalho foi tricampeão brasileiro no São Paulo. Foram três títulos consecutivos e seis meses depois houve a demissão. Tite conquistou tudo no Corinthians e também sofreu desgaste. É algo que acontece naturalmente, e quando isso ocorre, não há outra opção. É uma decisão difícil, mas que precisa ser tomada.

Nada vai apagar a história de Cléber Gaúcho no XV de Piracicaba. Campeão brasileiro da Série C em 1995, o título mais importante da história. Campeão da Copa Paulista 2016, desta vez como treinador, com um elenco que teve um dos menores custos nos últimos anos, recolocando o Alvinegro no cenário nacional. Não lhe falta competência. É um estudioso do futebol, se preparou para a função e se dedica a ela. Com certeza, terá muito sucesso na carreira.

Assim como ainda torço pelo sucesso de Moisés Egert no futebol, pelas alegrias que me proporcionou como torcedor, levando o XV da terceira para a primeira divisão paulista, tornando o acesso em Monte Azul um dia inesquecível para mim, com certeza também torcerei pelo sucesso de Cléber Gaúcho, e me lembrarei de quando o abracei após a conquista da Copa Paulista, em Araquarara, segundos antes de iniciar a entrevista. Mais uma vez, repito o que eu disse chorando naquele momento: “Cleber, muito obrigado”.

Marcelo Sá é radialista e jornalista na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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