Opinião

O fracasso de um clube sem identidade

EDITORIAL

A dispensa de Narciso é outro capítulo que marca a catastrófica gestão de Celso Christofoletti, Rodrigo Boaventura e Renato Bonfíglio. Foram quatro anos em que o XV de Piracicaba brigou pela permanência. Mas, o pior não é o rebaixamento, caso aconteça. O pior é que o clube perdeu a identidade; virou as costas para os torcedores. O fracasso da turma que anda para lá e para cá cercada de seguranças está escancarado nas arquibancadas – o jogo contra o Linense levou 2.000 pessoas ao Barão da Serra Negra. Cinco anos atrás, 2.000 pessoas viajaram para Mogi Mirim ver o XV escapar da queda. O torcedor não é burro. O torcedor sente nojo da elitização. Ele quer o XV dele de volta.

A incoerência da diretoria é flagrante. Após a saída de Claudinho Batista, Renato Bonfíglio declarou que contrataria alguém com o perfil ‘linha dura’. Veio Narciso, sem qualquer critério. Cinco dias atrás, Rodrigo Boaventura, presidente de fachada, bancou Narciso. Hoje, ele foi demitido. A campanha ridícula é fruto da incompetência da direção, que a cada vez que age, dá pistas do pouco que conhece de futebol. Patético. Mas, ainda assim, é menos patético do que chamar os torcedores descontentes de “meia-dúzia de bandidos”.

O elenco tem parcela de culpa importante, bem como os dois treinadores. O talento individual deu margem ao descompromisso, salvo as exceções de sempre, injustiçadas como de hábito. Rodrigo Boaventura julga que o rebaixamento é do esporte. O que não é do esporte é cair sem lutar. Beijar a lona com a passividade característica da soberba, que anuncia aos quatro cantos: ‘As contas estão em dia’.  O grande mérito da gestão é, em outras palavras, cumprir o próprio dever no aspecto administrativo – embora processos trabalhistas estejam pipocando na Justiça.

A diretoria do XV de Piracicaba é encabeçada por gestores que não tem ideia de quanto é prejudicial o rebaixamento para a Série A2 do Campeonato Paulista. O XV não é grande suficiente para cair, fortalecer e retornar mais forte no ano seguinte. A realidade é completamente diferente e os cartolas parecem não conhecê-la, tapados pela cegueira da incompetência. Cinco anos depois de subir, o XV de Piracicaba perdeu a identidade. Virou um clube elitizado, mas está com um pé fora da elite.

Início