Atletismo

‘O esporte me ensinou qual caminho seguir’

Atleta perde pai e mãe, se 'cria' sozinha e vira exemplo para adolescentes

Karen Mendes, atleta da equipe de atletismo do Rezende/Unimep/Selam
Karen precisa do apoio de treinadores especializados em lançamento (Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

O semblante tímido de Karen Mendes é facilmente desarmado quando ela conta a proeza que conseguiu ano passado. Aos 17 anos, criada por ela mesma após a morte do pai e da mãe, Karen escolheu o atletismo para alimentar seus sonhos. Da primeira corrida ao lançamento de disco, passando pelo arremesso de peso, o talento foi polido e deu resultado: em 2016, ela conquistou uma vaga para o Gymnasiade, evento multiesportivo de nível mundial, que é organizado pela Federação Internacional do Desporto Escolar. A competição aconteceu na Turquia: conhecer o mundo é algo que provoca nela um desejo sem limites de treinar.

‘O Rezende é a nossa única esperança aqui, é um trabalho de continuidade’

Nascida em Piracicaba, Karen começou no esporte por acaso: quando estava na quinta série do ensino fundamental, escutou de uma professora pela primeira vez a palavra ‘atletismo’ e não entendeu nada. “Eu achei a palavra estranha e a professora perguntou no fim da aula quem gostaria de fazer parte da equipe que ela estava montando. Eu quis saber o que era e fui lá”, contou a atleta, na época aluna da Escola Estadual Eduir Benedicto Scarpari, no bairro Alvorada 2. Karen começou nas corridas e logo foi para o arremesso de peso.

Do colégio, foi para a Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) treinar com o experiente professor Mário Leme. “Fui para aprofundar mais, pois nas competições que eu participava, o nível estava ficando fácil. Depois, acabei indo para a equipe do Sesi e vi que o nível de campeonatos estaduais e nacionais eram totalmente diferentes. O treino era muito forte, mas era o que eu queria. Lá, um treinador disse que o peso não era pra mim, que eu levava jeito para o disco”, recordou Karen.

O professor em questão é Darci Ferreira da Silva. De tanto insistir, ele convenceu a atleta a disputar provas no lançamento de disco. Karen deu razão ao técnico. “Vi que poderia crescer muito mais do que no arremesso de peso. Comecei a ganhar competições estaduais, ‘pegava’ pódio em brasileiros. Para classificar para o Gymnasiade, cheguei ao segundo lugar do ranking estadual e depois, na classificatória nacional, também fiquei na segunda posição. Isso me levou para a Turquia. Foi um sonho sair do país pelo esporte. Hoje, sei definitivamente que o disco é minha prova”, afirmou.

A equipe do Sesi de alto rendimento, porém, parou as atividades em Piracicaba. Atualmente, Karen representa apenas o Rezende/Unimep/Selam, do qual elogia o trabalho. “O Rezende é a nossa única esperança aqui, é um trabalho de continuidade. A base aqui é muito boa e isso ajuda bastante. Porém, ainda sinto um pouco a falta do aprofundamento na parte do lançamento. Meu sonho é viver do esporte, ser atleta. Disputar uma Olimpíada é o que eu mais quero em minha vida”.

Karen Mendes, atleta da equipe de atletismo do Rezende/Unimep/Selam

O Rezende, segundo Karen, é a única esperança de seguir treinando (Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

Karen terminou o ensino médio e vive dos treinamentos diários. Para ela, o Rezende é a esperança também para continuar os estudos. “O Rezende está buscando uma faculdade para mim e isso ajudaria muito a minha vida. Na quinta série, perdi meu pai e, em menos de três anos, minha mãe morreu. Neste tempo, eu e minha irmã mais velha ficamos sozinhas, passamos muito ‘perrengue’. Quando minha irmã completou 18 anos, ela conseguiu minha guarda. O momento que a gente viveu foi muito difícil. Éramos duas crianças cuidando de casa, não tínhamos maturidade. Eu sempre disse não para as drogas, para a perdição. Na escola, eu tive muito apoio, o que foi fundamental”.

A atleta diz que deve a vida ao esporte. Foi o atletismo que, segundo ela, moldou seu caráter. “O esporte me deu uma percepção muito clara de qual caminho seguir. Basicamente, o esporte me trouxe a felicidade e me ensinou a respeitar o próximo sempre. Independente de ser adversário ou não, nós temos que ajudar, seja com palavras ou ações. Não seguir isso vai contra o que o esporte me ensinou. Eu posso dizer, sim, que o esporte educou minha vida”, contou Karen, que em 2017 deixou a categoria menor e vai competir no juvenil.

AUXÍLIO

O objetivo da atleta neste ano é chegar ao top 5 do ranking nacional e melhorar a própria marca, que hoje é de 38m68. Campeã brasileira interclubes em 2016, ela prioriza as competições estaduais e nacionais na atual temporada para alcançar o índice para o Campeonato Sul-Americano Juvenil. Para seguir evoluindo, porém, pede uma ajuda. “Devido ao que aconteceu na equipe do Sesi, eu e alguns atletas ficamos sem treinador específico para lançamento. Se alguém conhecer algum técnico, independente do nível, peço que entre em contato comigo, pois nós precisamos muito. Somos muitos jovens para dar treinos para nós mesmos. Precisamos de um profissional”, concluiu. Clique aqui para entrar em contato com a atleta.

Início