Opinião

O esporte além da quadra

Conhecido a partir de 2013, quando as meninas do Brasil fizeram história no Campeonato Mundial realizado na Sérvia, sendo a primeira seleção das Américas a conquistar o título do torneio, mas na prática ainda pouco reconhecido, apesar dos resultados. Popularmente chamado de ‘futebol com as mãos’, o handebol é o esporte que prático aqui em Piracicaba. A nossa luta vai muito além de dois tempos de 30 minutos.

O time da cidade é a Associação Desportiva de Handebol 15 de Piracicaba, fundado em 2007, mas que assumiu a equipe feminina em 2013, com a extinção do CPH (Clube Piracicabano de Handebol). O cara que comanda tudo isso é o treinador José Batista – Zé Bodão – ao lado da esposa e auxiliar Andressa. Não há palavra capaz de descrever o valor que tem o trabalho realizado por eles – absolutamente tudo para que o handebol da cidade não caia no esquecimento. Agem como pais, comandam e tentam ajudar da melhor forma possível os atletas de Piracicaba, mas também os de fora. Cuidam de duas repúblicas, dos uniformes, preparam treinos, pensam na alimentação, nos medicamentos…

E por falar em medicações, o atendimento medico aos atletas seria essencial. Afinal, quando se tem alguma lesão mais seria ou ainda a necessidade de se fazer cirurgia, dependemos do SUS (sistema público). A situação, às vezes , faz com que o time perca um atleta por muito tempo em virtude do tempo de espera.

Nossa batalha para ir bem nos campeonatos não é nada fácil; treinamos em quadra três vezes na semana, cada treino com duas horas de duração. Na academia são outras duas vezes semanais, e ainda temos o auxilio da fisioterapia todos os dias – com a mão-de-ferro Charlini Hartz. Porém, a maioria dos atletas trabalha ou estuda. Fica difícil ser “100% esporte”, porque não há recursos para isso. Mas o trabalho não quer “só” atletas; o handebol faz com que pessoas levem daqui amizade, o respeito e a formação acadêmica.

Nosso time é formado por meninas jovens, mas com muito talento, disposição e vontade. Não é por acaso que somos tricampeãs regionais e bronze nos dois últimos Jogos Abertos do Interior. E, mesmo sem um grande patrocínio, com folha salarial enxuta e não fazer parte dos “grandes paulistas”, com todas estas dificuldades, temos hoje uma atleta convocada para seleção brasileira – a central Ana Carolina. É o suor de cada dia que nos faz mais fortes.

Jacqueline Germano, pivô, é jogadora da Associação Desportiva de Handebol 15 de Piracicaba

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