Opinião

O erro da oposição

*Capa: CBF/Divulgação

A oposição corintiana à atual administração do clube teve a grande chance de reconquistar o poder na eleição no último sábado (3). Porém, não entrou em consenso para se unir e derrotar Andrés Sanchez, que volta à presidência do clube para ao próximo triênio: 2018, 2019 e 2020. O pleito mostrou que a oposição, unida, conquistou nada menos do que 66% dos votos válidos, contra apenas 34% da situação. Isso quer dizer que, caso Paulo Garcia, Antonio Roque Citadini, Felipe Ezabella e Romeu Tuma Júnior se unissem em chapa única, ganhariam facilmente a eleição alvinegra.

Em números absolutos, Andrés somou 1.235 votos (33,9%) e ficou à frente de Garcia, segundo colocado com 832 (22,8%). Citadini foi o terceiro com 803 (22%), Ezabella quarto com 461 (12,6%), e Tuma Júnior o quinto com 278 (7%). Houve ainda 18 votos nulos e 13 em branco, totalizando o eleitorado de 3.642 votantes. Faltou uma composição. Ninguém quis ceder, já que todos queriam sentar na cadeira presidencial de um dos maiores e mais populares clubes do Brasil e do mundo. Esse foi o grande erro.

Para se ter uma ideia do tamanho da ‘derrapada’ da oposição, basta verificar que somente os votos de Garcia e Citadini (total de 1.635), segundo e terceiro colocados, já seriam necessários para bater Andrés com muita folga. E mais: até o terceiro e quarto colocados (Citadini e Ezabela), juntos, ganhariam, pois somariam 1.293 votos. O resultado dessa eleição com apenas um terço do total de votos foi um grande descontentamento por parte dos associados ao clube e, por consequência, uma briga generalizada após o anúncio do vencedor. Com 2.374 votos contrários de um total de 3.642 votantes, ficará muito difícil para a nova administração.

Andrés Sanchez tem como maior desafio equacionar uma situação muito delicada: o ônus da Arena Corinthians, que, por sinal, foi idealizada por ele mesmo, juntamente com seus correligionários. Hoje, a dívida com o novo estádio estaria na casa do R$ 1,2 bilhão, contando juros e correções. Vale lembrar que o grupo político de Andrés administra o Corinthians há quatro gestões, com a recém-empossada diretoria, e há quase 13 anos: começou com próprio presidente Andrés, depois Mário Gobbi e Roberto de Andrade, que deixou o cargo no último sábado.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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