Opinião

Nova postura

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

Após escapar do rebaixamento para a Série A3 e ser eliminado na primeira fase do Campeonato Brasileiro, a lógica seria o XV de Piracicaba encerrar 2017 em baixa. Não é o que está acontecendo. A boa campanha na Copa Paulista e a surpreendente política de contratações encabeçada pela diretoria resgatou algo importante: a expectativa. Desta vez, o discurso é uníssono; de Celso Christofoletti ao mordomo, diz-se que o objetivo é o acesso para a elite do futebol estadual, o que significaria vários balões de oxigênio para a saúde financeira do clube.

A direção parece engajada em devolver o XV de Piracicaba ao lugar que, historicamente, tem de estar. Dos seis reforços contratados para a Série A2, vejo cinco incontestáveis: o lateral-direito Oziel (33 anos), o zagueiro Vinicius Simon (31) e os atacantes Everton (34), Fabinho (34) e Jobinho (32). O goleiro Luiz Fernando (29), para o colunista, é uma incógnita pelo tempo que atuou em Myanmar. As sondagens de Guly, Samuel Pires ou Thiago Feltri também mexem com o interesse dos torcedores.

Há anos, o XV não se fazia ofensivo no mercado. A postura é diferente. Evidente que sempre haverá algum questionamento. No parágrafo acima, o leitor atento percebeu, entre parêntesis, que a idade dos reforços passa a casa dos 30 anos. O elenco é velho? Na avaliação do departamento de futebol, não. Beto Souza e Evaristo Piza discursam a mesma língua sobre o assunto: são atletas sem histórico de lesões e que estavam jogando em seus ex-clubes. É um argumento sólido e suficiente antes de a bola rolar.

A palavra planejamento, desgastada no dicionário do futebol, foi seguida à risca pelo XV de Piracicaba nos últimos meses de 2017. A definição do treinador e sobre quais os atletas remanescentes foi feita com antecedência; os reforços são úteis no que diz respeito ao equilíbrio do plantel (faltam três peças, que devem ser fechadas na próxima semana); e cinco testes estão agendados para ensaiar as novas peças. Não há qualquer garantia de que a equipe irá funcionar no campo, mas, se futebol não é ciência exata, ao menos é possível diminuir a margem de erro. O XV está fazendo o que está ao seu alcance para tal.

Ao contrário de anos anteriores, quando a desconfiança rondava o Barão da Serra Negra já na pré-temporada, o XV versão 2018 não será contagiado pela morosidade; a proposta do clube, de buscar um objetivo grande, à altura do que pede o escudo, leva a crer que a temporada que se aproxima será de extremos. Pela conduta, é bastante possível que funcione e o XV de fato brigue pelo acesso (a conquista ou não será decidida nos detalhes e aí a experiência dos reforços, os jogadores ‘cascudos’, pode fazer a diferença). Mas, cuidado: em caso de insucesso, falar de planejamento errado ou a falta dele será mero oportunismo. O XV trabalha bem nos bastidores. Estou ansioso para saber como fará em campo.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

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