Karatê

No aniversário do Pan, Natalia conquista 3 ouros

Há 2 anos, atleta vencia título no Canadá; nesta terça-feira, mais três conquistas

*Capa: Geraldo de Paula

Natalia Brozulatto comemorou dois anos da conquista mais importante da carreira com mais três medalhas de ouro para a coleção. Há exatamente dois anos, a atleta piracicabana subiu ao lugar mais alto do pódio nos Jogos Pan-americanos de 2015, realizados em Toronto, no Canadá. Nesta terça-feira (25), a lutadora disputou os Jogos Regionais, em Lençóis Paulista, e garantiu o primeiro lugar para Piracicaba em três categorias: +60 kg, open e equipes. Foram oito lutas, oito vitórias e apenas cinco pontos sofridos ao longo da competição. O resultado confirmou o favoritismo e encaminhou o título geral da modalidade para a Noiva da Colina.

“A sensação de vencer é sempre especial. Valeu a pena para adquirir ritmo de competição e pelo fato de representar Piracicaba”, disse Natalia, dona de mais de 100 títulos individuais no karatê. O principal deles fez aniversário hoje. Nos Jogos Pan-Americanos, em 2015, foram cinco lutas antes de chegar ao lugar mais alto do pódio em Toronto: um empate e quatro vitórias, a última delas sobre a mexicana Xhunashi Caballero por 2×0, com dois ‘yukos’ aplicados na final do Canadá. “A felicidade foi imensa. Passou um filme em minha cabeça, tudo o que fiz em minha vida”, contou Natalia.

‘Lembro de tudo que passei nos treinos: canseira, dores, insegurança e lesões’

No esporte desde os 9 anos, a atleta é dona de dez títulos brasileiros, cinco sul-americanos e medalhista em mais de 100 competições oficiais, entre elas, a Liga Mundial e Copa do Mundo. Natalia nasceu em Marília, cresceu entre Iracemápolis e Limeira, mas foi em Piracicaba que se transformou em atleta de ponta. A lutadora recebeu em 2014 o título de cidadã piracicabana pelo trabalho desenvolvido no esporte local. Formada em educação física e há 12 anos na seleção brasileira, a lutadora é integrante da equipe Sport Way/Selam/JF Comercial/Onodera/Apreciate/Vertra/Sorvetes Noblita.

Apesar do sucesso no tatame, Natalia nunca encontrou qualquer facilidade para lutar: a atleta vende pizzas e faz até rifa para viajar e competir. O desgaste emocional quase a fez desistir do esporte em 2014. “Foi o momento mais difícil da minha carreira. Tive uma crise muito forte, queria parar de treinar. Estava estressada com coisas fora do karatê, as dificuldades, falta de reconhecimento, juntou tudo… Graças a Deus, passou. Foi uma fase e hoje é muito estranho quando lembro desse pensamento”, relatou Natalia, que conta com a ajuda de uma equipe multidisciplinar para seguir adiante.

As dificuldades impostas pela vida foram superadas assim como as adversárias no Pan. Na fase de grupo, foram duas vitórias contra a americana Eimi Kurita e a equatoriana Priscilla Nieto Lazo, além de um empate contra a dominicana Carmen Harrigan. Na semifinal, Natalia deixou pelo caminho a venezuelana Omaira Molina e, por fim, a derrotou na final a mexicana Xhunashi Caballero. Após o ouro, conquistado na categoria -68 kg, ela descobriu que estava grávida e precisou parar por dez meses. Nada que a impedisse de retornar ao lugar destinado para ela: o topo do pódio, como aconteceu três vezes nesta terça-feira em Lençóis Paulista.

Início