Opinião

Não é futebol

Muito já foi falado sobre a confusão após o jogo entre Peñarol e Palmeiras, nesta quarta-feira (26), em Montevidéu, no Uruguai, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores. Porém, permita-me fazer mais uma reflexão sobre o triste tema com você, caro leitor. O que se viu no estádio Campeón del Siglo é tudo, menos futebol. É a reedição dos anos sombrios de uma Copa Libertadores de outrora, quando se ganhava no grito e não na bola.

Coincidência ou não, foi nesta mesma época que o Peñarol conquistou a maioria dos cinco títulos da competição sul-americana. Se durante os dois tempos, o que se viu foi uma grande partida, com direito à virada histórica do Palmeiras, depois do apito final foi mostrado para o mundo um time que não sabe perder. Um clube com o tamanho e a tradição do mais importante time do Uruguai, o ‘campeão do século’, como foi batizado o estádio, não merece os jogadores que têm na atualidade. O que mais me intriga é a maldade dos uruguaios.

O fato de fechar o portão que dá acesso aos vestiários mostra o mau-caratismo dos anfitriões. A situação só não ficou pior porque o Palmeiras, precavido, trouxe ‘um ônibus’ de seguranças, 20 no total. Eles invadiram o campo para proteger os jogadores. Os uruguaios fizeram de tudo para prejudicar o Alviverde desde quando perdeu em São Paulo. Vale lembrar que já no dia anterior, os brasileiros foram impedidos de fazer o reconhecimento do gramado do estádio. Totalmente diferente de quando vieram ao Allianz Parque.

Mesmo sem ter a permissão da administração do estádio para treinar, a diretoria do Palmeiras pediu ‘pelo amor de Deus’ para o Allianz Parque ser liberado ao Peñarol, o que acabou acontecendo. Com a palavra agora a Conmebol, entidade que comanda o futebol na América do Sul. Ficará por isso mesmo? Esperamos que não. Que puna quem deve ser punido. Para o bem do futebol. Porque, do contrário, seguiremos sendo considerado o terceiro mundo do futebol mundial. O que se tira de tudo isso é um Palmeiras mais forte. Se o time estava em crise, esse episódio serviu para unir o grupo. Já classificado, o Alviverde deve dar muito mais trabalho ainda na sequência da competição continental. Podem ter certeza!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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