Opinião

MMA: esporte ou violência?

Lembro muito bem de quando nasceu o MMA (Artes Marciais Mistas, na sigla em inglês). Foi há quase 20 anos. O propósito era desvincular o MMA do antigo Vale Tudo, termo que caiu em desuso, onde as regras praticamente não existiam. O tempo da luta variava conforme o evento, a integridade física dos lutadores não era respeitada e o único objetivo era saber qual arte marcial era mais eficiente dentro do ringue ou octógono. Naquela época, cada competidor praticava uma ou duas artes marciais.

Mas, e aí? MMA afinal é um esporte ou só violência? Para mim, está claro que o MMA é um esporte de alta performance. Não é, portanto, uma atividade que incita a violência. Tenho o costume de analisar feedbacks sobre o comportamentos de lutadores, alunos, treinadores e professores de arte marcial. E dá para constatar que o status de “lutador” é bem visto pela sociedade – estar envolvido com o meio virou diferencial. Os níveis de treinamento atuais de um lutador de MMA são extremamente avançados: ele pratica várias artes marciais, faz musculação, treinamento funcional, crossfit, tem acompanhamento de fisiologistas, fisioterapeutas, nutricionistas e um manager para direcionar a carreira. Virou, praticamente, uma empresa.

E como em qualquer grande corporação, o que se leva em conta é a produtividade. No MMA, se usa a mesma linha de raciocínio: quanto mais treino, mais fácil a luta; a exigência é pelo esforço. O MMA funciona ainda como válvula de escape para atletas insatisfeitos com todas as adversidades que a vida impõe. No Brasil, o esporte está ainda em um nível muito abaixo do exterior, pois o atleta não consegue “ser atleta” 100% do tempo. Ele precisa de outra fonte de renda, fora a luta.

É importante lembrar que os atletas são a “cara” da equipe, da academia que representam. Se o mestre for um líder que se perdeu no meio da caminhada e apenas pensa na quantidade de alunos, em dinheiro, em fazer marra e bancar o “pitbull” do pedaço, tenho absoluta certeza de que o conceito de violência será maquiado, mas sempre vai existir pelo caráter duvidoso do conteúdo passado aos seus atletas.

Da mesma forma que o MMA cresceu de forma desenfreada, pode falir também de uma forma prematura. O MMA pode e deve ajudar atletas a ser tornarem campeões nos ringues e nos octógonos, mas também na vida! A relação do MMA com a violência, na minha visão, não existe. O que existe são fatores isolados, causados por praticantes que acabam denegrindo a imagem do esporte. Um abraço a todos! Oss!

Frederico Molina é treinador de muay thai

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