Opinião

Meu herói do judô levou um ippon?

Dia desses, ao ver o noticiário em uma emissora de TV, fiquei triste com uma reportagem negativa sobre o ex-judoca Aurélio Miguel, atual vereador paulistano, que estaria envolvido em esquema de propinas. De imediato pensei: “Mas logo o Aurélio Miguel? Por que ele?” Aurélio Miguel foi um dos meus primeiros heróis do esporte. Mesmo sem gostar ou entender muito o judô em 1988 – quando tinha 15 anos recém-completados -, eu assisti ao vivo pela Band, na inconfundível voz de Álvaro José, a disputa pela medalha de ouro do brasileiro diante do alemão Marc Meiling.

Foi uma luta tensa, mas Aurélio Miguel venceu com a maestria dos campeões e levou a medalha dourada na Olimpíada de Seul. O dia 30 de setembro de 1988 está marcado na história porque o judô brasileiro conquistava o primeiro ouro em Jogos Olímpicos. Apesar de adolescente, eu chorei como criança. Apesar de não entender muito as regras do judô na época, fiquei completamente emocionado com aquela conquista. Quando vi a bandeira brasileira no ponto mais alto do pódio, chorei de novo. É verdade, sou um chorão mesmo. Até hoje.

Aurélio Miguel marcou a minha geração de torcedores e abriu as portas para os futuros campeões que viriam nos anos e décadas seguintes, casos de Henrique Guimarães, Rogério Sampaio, Tiago Camilo, Leandro Guilheiro, Flávio Canto, Felipe Kitadai, para citar alguns dentre tantos outros.

Ao ver a reportagem eu quase chorei, como há 28 anos, mas desta vez de tristeza. Profunda tristeza. Espero, sinceramente, que não seja verdade essa notícia. Quem ama o judô sabe a importância do Aurélio Miguel para o esporte que mais deu medalhas para o Brasil em Jogos Olímpicos. Ele não merece essa mancha em sua biografia! Independente do que vai dar essa denúncia, serve de alerta. Herói ou não, medalhista ou não, atleta ou não, nós devemos ter o caráter irrepreensível. Aí sim, seremos medalhas de ouro!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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