Opinião

Manipulação de resultados

A manipulação de resultados, especialmente no futebol, ainda é pouco discutida no Brasil, mas o país está simplesmente ‘entrando na mira’ de muitos apostadores internacionais. Todo cuidado é pouco! Esportes como o remo, no passado, sofreram com a manipulação de resultados e acabaram por sumir praticamente do cenário esportivo.

A beleza do esporte está na luta, na garra, na determinação de cada atleta ou equipe. Está também na imprevisibilidade. Quando ela é manipulada, a modalidade entra em descrédito e as pessoas acabam por perder o interesse, assim como patrocinadores e outros apoiadores se afastam. A crise estrutural da Fifa no último ano tem tido serias consequências: muitos dos patrocinadores oficiais já estão tirando o time de campo, evitando associa as marcas à corrupção.

O interessante é que a manipulação ocorre não apenas em grandes partidas ou disputas; em sua maioria, em acontece em jogos de menor apelo financeiro ou público, como as categorias sub-20, sub-17 ou sub-15, onde existam jovens atletas. Isso porque, dentro de tais competições, há um publico-alvo mais vulnerável e a fiscalização e o acompanhamento pela mídia, por certo, são muito menores. Jovens atletas que ganham valores muitas vezes pequenos se veem tentados a cair nas garras de inescrupulosos manipuladores. E, para isso, todos devem se atentar.

Muitas vezes, árbitros, atletas, equipes ou dirigentes são aliciados não apenas a aceitarem propostas de forma voluntária, mas também mediante ameaças pessoais e a seus familiares, pagamentos de dívidas feitas em apostas, dentre outras formas de abordagem. No início, a proposta parece sutil e despretensiosa; ao ganhar corpo, o profissional pode se ver em uma situação complicada e muitas vezes sem saída. Casos identificados como ‘mala branca’ ou ‘mala preta’, atualmente, podem ser severamente punidos não apenas pelas entidades responsáveis pelo esporte, mas também pelo próprio Poder Público.

Pelo artigo 41-E do Estatuto do Torcedor, por exemplo, fraudar, por qualquer meio, ou contribuir para que se fraude, de qualquer forma, o resultado de competição esportiva, pode levar o infrator à prisão de dois a seis anos – o que não certamente não vale a pena. Reconhecer uma aproximação duvidosa, resistir a eventuais propostas e mesmo denunciar, ainda que de forma anônima, uma eventual ocorrência, pode ajudar não só bons profissionais a permanecerem no esporte, mas também incentivar cada vez mais a prática e os investimentos na modalidade. Seja consciente. Jogue limpo!

Fernanda Bini é advogada, especialista em direito desportivo e atua em diversos tribunais desportivos no país

Início