Muay Thai

Loucura? Mulheres ganham espaço no muay thai

Francislaine Cruz e Jéssica Freitas superam 'desconfiança' e disputam títulos

Francislaine Cruz e Jéssica Freitas, atletas de muay thai da equipe Inside Régis
Francislaine Cruz e Jéssica Freitas, as lutadoras de muay thai da equipe Inside Régis (Foto: Líder Esportes)

“Você é louca?”. Foi o que disseram no trabalho para Francislaine Cruz, de 34 anos, quando ela decidiu lutar. O tempo deu razão para a inspetora de qualidade, que é mãe de duas filhas. Jéssica Freitas deve ter escutado a mesma frase. Com 1,60 m, ela engana pela aparência ‘frágil’, como se define. As duas, porém, não tem dúvida alguma: são lutadoras de muay thai. Ambas estão confirmadas no 2º In Fight, torneio que será realizado dia 10 de julho, em Piracicaba. O evento acontece na Casa do Hip Hop. A programação começa às 7h30 com a pesagem dos atletas. Na sequência, a organização reúne os treinadores antes dos combates, que têm previsão de início para as 10h.

Perguntadas sobre a expectativa, elas escondem o jogo e preferem não revelar as estratégias

Francislaine é piracicabana e disputa a categoria 65 kg. Ela vai enfrentar Tamires Cristina, de Americana. Praticante de muay thai há sete meses, cinco deles ao lado do técnico Luis Reginaldo Pezzato, o Régis, ela disputou duas competições neste ano e foi vice-campeã em ambas – Sumaré e Campeonato Paulista. Jéssica encara Débora Alves, de São Roque, na divisão 55 kg. Paranaense, ela está há dois anos em Piracicaba e treina há mais tempo que a companheira de equipe – um ano e quatro meses. Em 2016, foram duas lutas, com saldo de uma vitória e uma derrota.

Perguntadas sobre a expectativa para o 2º In Fight, elas escondem o jogo e preferem não revelar as estratégias, mas são unânimes ao dizer que preferem não focar no ‘jogo’ das oponentes. “Eu procuro não saber muita coisa para não criar expectativas antes. O foco é minha luta”, disse Francislaine. “Penso praticamente a mesma coisa. O que eu imagino é que ela está treinando agora, então vou treinar bastante também para chegar no momento da luta preparada e sem preocupação”, afirmou Jéssica.

As duas lutadoras colecionam argumentos para a escolha do muay thai como esporte. As opiniões também são semelhantes quando é lançada a pergunta: ‘esporte ou violência?’. “O muay thai é um esporte técnico, você trabalha, faz treinos elaborado para lutar. Além disso, existem regras. Ninguém fica rolando no chão e puxando o cabelo como em uma briga qualquer”, comentou Francislaine. “Nós não fazemos muay thai para ‘bater’ em ninguém, fazemos pois gostamos e precisamos enfrentar dificuldades nos treinos, na perda de peso…”, completou Jéssica – a Inside Régis Team conta com a nutricionista Bianka Chiarotti na equipe.

RESISTÊNCIA

Outro ponto de vista compartilhado entre as atletas se dá em relação ao início da carreira de lutadoras. Apesar do ‘susto’ inicial, elas garantem que não encontraram resistência da família e pessoas mais próximas. “Eu acho que eles sabem como eu sou e que lutar daria super certo para mim (risos). Na minha última luta, precisava perder 1 kg e eles me ajudaram muito. Não vi resistência, a única coisa é quando você anda com uniforme, algumas vezes o pessoal olha com um pouco de receio”, contou Francislaine, que já trouxe o marido e uma filha para a arte marcial.

“Quando digo que vou lutar, meus amigos perguntam se eu tenho certeza que quero fazer isso, porque eles me acham frágil, talvez porque sou um pouco nova e o tamanho também não ajuda nenhum um pouco, né? (risos) Mas sempre quis lutar, desde os 14, 15 anos sempre tive vontade de lutar. Na época, não tinha condições e então fui deixando de lado, mas agora que tenho 20 anos estou realizando este sonho”

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