Taekwondo

Julio Ribeiro introduz psicologia na Dojan Nippon

Equipe piracicabana faz aposta em preparação mental para alcançar metas

Júlio Ribeiro, psicólogo do CAR Dojan Nippon
Julio Ribeiro trabalha todo o aspecto psicológico da equipe Dojan Nippon (Foto: Líder Esportes)

Para o Centro de Alto Rendimento Dojan Nippon, o desempenho de um atleta não depende apenas de técnica e estratégia, mas também de uma preparação mental. A equipe de taekwondo do local, portanto, conta desde novembro com o suporte do psicólogo Julio Ribeiro, que atua com ênfase em esporte. Nascido e residido em Penápolis, o profissional trabalha presencialmente com o grupo piracicabano uma vez por semana, às segundas-feiras, quando ministra palestras aos lutadores e faz alguns trabalhos individuais.

Paralelamente, o psicólogo Julio Ribeiro também trabalha no Penapolense

O psicólogo contou ao LÍDER qual procedimento utiliza com seus clientes. “Na primeira semana, faço um diagnóstico, analiso qual é a demanda do atleta. Na segunda, começo uma intervenção para perceber o que posso trabalhar com ele. Porque há atleta que você tem que trabalhar com jogos, aquele que precisa trabalhar presencialmente, com técnicas de relaxamento, aquele que pode trabalhar com livros, músicas, filmes… Cada pessoa responde de uma forma diferente”, disse.

Um dos atletas atendidos por Ribeiro é Guilherme Félix, que está classificado para a segunda fase da seletiva que dá vaga nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Paralelamente, o profissional atua no clube de futebol Penapolense. “Lá (no Penapolense), trabalhamos a coesão do grupo, nuances de cada jogador, peculiaridades… Aqui não. Sei quem é o Guilherme e tenho uma visão geral dele. No futebol ou basquete, não é assim. Preciso fazer uma leitura não só do atleta, mas também da instituição de um modo geral”, afirmou.

Ribeiro destacou, no entanto, que ainda há preconceito quanto à profissão de psicólogo, causado por uma questão cultural. “As pessoas pensam que psicologia é para louco, doente, desocupado, para quem tem frescura…”, salientou. De acordo com o profissional, no âmbito esportivo, esse pensamento começou a mudar durante a Copa do Mundo de 2014. “Aquela cena do Thiago Silva chorando antes dos pênaltis (contra o Chile, nas oitavas de final), desabando emocionalmente, foi gritante para perceber que o atleta precisa ser preparado nesse sentido”, relatou.

IMPORTÂNCIA

Segundo Ribeiro, existem três elementos que influenciam no desempenho de um atleta: pensamento, emoções e ações físicas. Ele assegurou que cada um deles têm o mesmo valor para a performance dos esportistas. “Se alguma dessas partes falha, o rendimento também é afetado”, ressaltou o profissional, que citou um outro item levado em consideração por países europeus: o fator espiritual.

O novo ‘reforço’ da Dojan Nippon também informou que, na psicologia esportiva, treina-se a mente para o caso tanto de vitória como de derrota e ressaltou a importância de ter foco em todas as ações que se pratica. “Nós estamos aqui, neste momento. Não existe futuro nem passado. Só o presente importa. Mas é difícil agir assim porque somos viciados de forma errada”, declarou.

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