Opinião

Ilusão olímpica

Olimpíadas. Impossível não se emocionar e, mesmo que relutemos sobre o impasse entre a vida real brasileira e o momento olímpico, sempre acabamos dando uma espiada nos acontecimentos esportivos. Olimpíadas. Espaços maravilhosos, abertura fenomenal, atletas de primeira linha, logística meia-boca. Opa! Ninguém é perfeito. Pois bem, se fosse somente a logística, estaria muito bom. Torço para que tudo isso seja mantido após os eventos e o mais importante, que tudo seja utilizado. Será? Utilizado?

Sim, utilizado de verdade. Agora sim chegamos ao ponto mais importante de tudo, os atletas brasileiros. Atletas? Vamos ampliar a visão para não nos atermos apenas a alguns heróis. Para ser um atleta, é preciso se dedicar integralmente. É preciso treinar de forma adequada através de prescrições individualizadas. É preciso se alimentar de forma adequada, com acompanhamento especializado. É preciso o acompanhamento em diversas áreas, como fisiologia, fisioterapia, psicologia, entre outras…

Complexo, não é? Para isso, o esporte brasileiro precisa se organizar, sistematizar e fornecer subsídios aos atuais e futuros atletas. Futuros? Sim, este ponto é o mais importante de todos, pois como queremos pensar em sediar campeonatos internacionais e ter atletas com rendimentos superiores, se não pensamos em uma preparação ao longo dos anos para os jovens? É fato que para um indivíduo conseguir buscar resultados superiores em uma modalidade esportiva, é necessário de 8 a 12 anos de preparação completa. Somente assim será possível alcançar a forma desportiva tão desejada e veremos resultados expressivos desta nação tão populosa.

A ideia de um esporte somente de inclusão é muito simplista, sendo necessária uma visão de formação intensa, onde esporte e estudos são inerentes e não ambíguos – e esse fenômeno poderia acontecer na escola ou em projetos que fornecessem uma estrutura para se desenvolver. Mas o que vemos é uma formação unilateral, para poucos, exclusiva, equivocada, sem qualidade, imediatista. Brasil, meu Brasil brasileiro. Vamos acordar ou vamos continuar sonhando?

Ariel Rodrigues é treinador da equipe feminina de basquete do XV de Piracicaba

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