Futebol

Há 5 anos, XV vivia ‘dia de glória’ em Monte Azul

Após goleada, clube voltava à elite depois de 17 anos nas divisões de acesso

XV de Piracicaba - Campeão paulista Série A2 2011
A campanha do XV foi quase perfeita em 2011: apenas três derrotas em 26 jogos na Série A2 (Foto: Fábio Mendes)

Domingo de Páscoa, 24 de abril de 2011. Há exatos cinco anos, em Monte Azul Paulista, o XV de Piracicaba colocava ponto final no calvário de 17 anos em que ficou perambulando entre as divisões inferiores do Campeonato Paulista. O apito final do árbitro Luiz Vanderlei Martinucho, às 16h54, no estádio Otacília Patrício Arroyo, foi o ponto de partida para a festa alvinegra, que invadiu a madrugada em frente ao estádio Barão da Serra Negra. O acesso veio com goleada por 4×1 fora de casa – Adílson (2), Rodolfo e Paulinho fizeram os gols da vitória.

Em 26 partidas, XV venceu 14 vezes, empatou nove e perdeu apenas em três oportunidades na competição

“As individualidades nunca existiram dentro do vestiário. O jeito como trabalhamos foi o maior mérito daquele time, havia comprometimento com o clube. Todos remavam para o mesmo lado. Nós sempre acreditamos que o acesso era possível e que a equipe era bastante competitiva”, disse o técnico Moisés Egert, que está perto de repetir a façanha em Mirassol. Em 2011, o treinador dirigiu o XV em 26 jogos na Série A2 – foram 14 vitórias, nove empates e apenas três derrotas, duas delas seguidas contra o Grêmio Catanduvense, já pelo quadrangular final. O medo de não conquistar o acesso foi exterminado em Monte Azul Paulista.

Moisés mexeu na estrutura tática da equipe durante o Estadual. O treinador começou com 4-4-2, mas fechou a competição com 4-5-1 – três volantes e Adílson como referência única de ataque. No jogo do acesso, o técnico escalou Wanderson; Vinicius Bovi, Everton, João Paulo e Ceará; Diego Silva, Diego Araújo, Glauber, André Cunha e Ricardinho; Adilson. Carlão, Paulinho e Rodolfo entraram no decorrer da partida, enquanto Marcus Vinícius e Jordy Guerreiro, peças habituais daquela equipe, cumpriram suspensão – o atacante Fábio Santos ficou entre os suplentes.

Rodolfo, jogador do André Cunha, jogador do XV de Piracicaba - Campeão paulista Série A2 2011

Rodolfo comemora o gol marcado em Monte Azul: ‘Eu sonhei’, disse o volante após marcar (Foto: Arquivo Pessoal)

Adílson abriu o placar para o XV ainda no primeiro tempo, mas Fernando deixou tudo igual antes do intervalo. Após o empate, o Monte Azul pressionou o time piracicabano. Moisés perdeu Diego Silva, que lesionou o ombro, e chamou o volante Rodolfo para entrar em campo. A história a seguir é compartilhada pelo massagista Adenílson Gazola, que conversou com Rodolfo antes do jogo e escutou do volante que ele havia sonhado com o gol do acesso.

André Cunha, jogador do XV de Piracicaba - Campeão paulista Série A2 2011

André Cunha, ídolo da torcida, com a taça de campeão paulista da Série A2 em 2011 (Foto: Arquivo Pessoal)

“O Moisés levou quase todo elenco para a concentração, ele queria todos juntos e participando daquele momento. Na concentração, eu ainda não sabia se iria jogar, mas, na noite anterior ao jogo, eu tive um sonho. Parece mentira, mas sonhei que marcaria um gol de fora da área. Lembro dos detalhes do sonho. Eu chutava de fora, a bola batia na trave e entrava. O gol não foi igual ao sonho, mas foi muito parecido. Tenho a maior satisfação de lembrar daquele jogo e saber que participei de maneira ativa da história do XV. Foi uma das maiores alegrias que vivi como atleta”, contou Rodolfo. “Aquele time não vai acontecer de novo. Todos abraçaram e vestiram a camisa do XV como se fosse nossa pele”, completou o volante.

A partir do segundo gol, o time piracicabano controlou a partida. Paulinho encobriu o goleiro e atravessou todo o campo para comemorar com a torcida o terceiro gol; Adílson ainda marcou o quarto – o artilheiro fez sete nos últimos sete jogos. “Acho que tudo que eu conquistei na minha carreira, tenho que agradecer ao XV. Foi o clube que praticamente me lançou para o futebol brasileiro. Passei por momentos muito difíceis na minha chegada e só tenho a agradecer o que o clube fez por mim. O que conseguimos foi inesquecível”, afirmou Paulinho, hoje no Santos.

Após a goleada em Monte Azul e com a vaga garantida, o XV ainda derrotou o Atlético Sorocaba, no Barão da Serra Negra, pelo placar de 3×1, resultado que eliminou o adversário e assegurou a classificação quinzista para a final, contra o Guarani – o título veio nos pênaltis, com duas defesas do goleiro Wanderson, após empate por 2×2 no tempo regulamentar e na prorrogação. “Montamos uma equipe competitiva, mas o que nos surpreendeu foi a sintonia que existia entre todos. Eles assimilaram a filosofia e criaram uma identidade com o clube”, concluiu o ex-presidente Luis Beltrame. Com o rebaixamento em 2016, a dúvida agora é quanto tempo o clube vai esperar para repetir outra festa como aquela vivida em Monte Azul Paulista.

Rodolfo, jogador do André Cunha, jogador do XV de Piracicaba - Campeão paulista Série A2 2011

No dia seguinte ao acesso, o elenco desfilou em carro aberto pelas ruas de Piracicaba: fim de calvário (Foto: Arquivo/Líder)

Início