Opinião

Guerreiro brasileiro!

Confesso que não sou muito fã de boxe. Não consigo entender como uma modalidade apelidada de ‘Nobre Arte’ possa ter, em sua essência, socos na cabeça. Assim como o MMA, o boxe não me seduz. Porém, assisto esses dois esportes quando há um brasileiro em busca de uma grande conquista. Não gosto muito, mas respeito as pessoas que se dedicam horas, dias e anos pelo sonho das conquistas no esporte.

Com esse pensamento, voltei correndo para casa para ver a disputa do ouro de Robson Conceição, na última terça-feira à noite. Diante do francês Soufiane Oumiha, o bom baiano desferiu seu arsenal de golpes e, com um grande repertório, venceu o oponente por decisão unânime dos juízes. A vitória e o ouro fizeram Robson Conceição entrar para a história como o primeiro brasileiro a conquistar a medalha dourada para o nosso país. Depois de duas eliminações precoces, ainda na primeira rodada, em Pequim (2008) e Londres (2012), Conceição beliscou o ouro em grande estilo e em casa, no Rio de Janeiro.

Com a conquista, veio a fama repentina. E com a fama, a descoberta da história de superação e força, enredo dos verdadeiros campeões. O então menino Robson Conceição fez de tudo no interior da Boa Terra. Foi feirante, vendeu frutas… tudo para não faltar o pão de cada dia. Até que o esporte entrou em seu caminho para mudar a história. Foi por meio dos ‘clinches’, esquivas, ‘jabs’ e muita força nos golpes que fizeram deste guerreiro brasileiro um dos melhores do mundo em sua categoria (peso ligeiro) antes de chegar ao inédito ouro olímpico.

Que a história de superação do nosso herói possa inspirar novos campeões. Sabemos que ainda não temos uma política de valorização do esporte, mas, mesmo assim, ainda que por méritos próprios, torcemos para que apareçam novos atletas como Robson Conceição. Assim, ouviremos mais e mais vezes o nosso hino nos principais torneios do mundo.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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