Opinião

Gerenciamento de carreira

Grande parte da população pensa que vida de atleta é fácil. Pois bem, nem de longe! Atletas dedicam horas aos treinos, fazem grandes esforços para superar os próprios limites, têm uma vida extremamente regrada com alimentação e horários, deixam de curtir a vida social mais agitada em nome do esporte e, diferente de um trabalhador normal, não deixa de ser atleta quando volta para casa, seja pela possibilidade de ser submetido a exames antidoping a qualquer momento, seja pelo fato de ter que cuidar da saúde para não se lesionar. Afinal, contratos e patrocínios podem estar em jogo por conta de um deslize.

É prudente que, na medida do possível, os atletas possam delegar atividades burocráticas a pessoas de confiança, para que se dediquem apenas ao esporte, fazendo 100% aquilo que sabem de melhor. Daí a origem de algumas empresas de agenciamento ou gerenciamento de carreiras, o que é de extrema importância para bons profissionais exatamente para tirar das ‘costas’ do atleta procedimentos burocráticos desgastantes que possam desviar o foco. Tais agências, muitas vezes, não são ‘mero luxo’, mas sim uma necessidade de o atleta otimizar e racionalizar os recursos e o tempo de carreira, que, aliás, pode ser extremamente curta em determinadas ocasiões.

Porém, é importante saber que o gerenciamento de carreira depende de conhecimentos técnicos em diversas áreas de atuação e é exatamente isso que destaco. O atleta bem assessorado precisará de alguém ou alguma empresa especifica com profissionais que tenham bons conhecimentos jurídicos desportivos para tratar de questões técnicas e jurídicas específicas e relativas a contratos, não apenas de trabalho, mas também de imagem, contratos de arena, de patrocínios, entre outros.

Estar alinhado com profissionais que conheçam muito bem o mercado nacional e internacional da modalidade e que sejam capazes de criar melhores possibilidades de intercâmbios – e mesmo contratos com clubes no exterior – também é uma escolha consciente. É importante o papel de uma assessoria de imprensa atenta, que possa criar não apenas oportunidades de negócio, mas também gerenciar crises, afinal de contas, pequenos deslizes podem ser fatais para um profissional do meio esportivo.

De extrema importância ainda é uma boa orientação quanto à exploração da imagem, sobre a convivência fora do âmbito familiar, treinamentos, eventuais registros de marcas, finanças e investimentos, resolução de conflitos e ainda sobre a gestão pessoal do próprio atleta, aparência, habilidade com idiomas, a própria formação profissional e, porque não, sua aposentadoria. Tudo isso faz parte da vida de um atleta de alto rendimento e, por certo, não pode ser negligenciado.

Uma carreira não se faz apenas treinando e competindo, mas também sabendo lidar com questões ‘extra-campo’, como eventuais perdas de apoio financeiro, lesões, aposentaria precoce e, especialmente, com o melhor modo de se aproveitar financeiramente de uma trajetória que, se comparada a outras, pode ser rápida demais.

Fernanda Bini é advogada, especialista em direito desportivo e atua em diversos tribunais desportivos no país

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